Na última sexta-feira, diretores da Associação dos Funcionários do BNB (AFBNB) e da Associação dos Aposentados do BNB (AABNB) estiveram reunidos no Passaré para uma palestra sobre desenvolvimento regional, ministrada pelo economista Firmo de Castro, consultor contratado pela AFBNB e AABNB para assessorar a elaboração de emendas ao Projeto de Lei 59, que institui a Sudene. Depois da palestra, os diretores assistiram à apresentação do Planejamento Estratégico do Banco, feita pelo Superintendente de Suporte Estratégico, José Varela Donato.
Segundo Firmo de Castro, ex-superintendente da Sudene e ex-diretor do BNB, não se pode discutir o papel do Banco do Nordeste para o desenvolvimento regional sem antes tratar o cenário nacional e a existência ou não de uma política de desenvolvimento. Na opinião de Firmo, o governo Lula não avançou nessa questão, e na gestão FHC o tema nem mesmo integrava a agenda nacional. “Para discutir desenvolvimento regional é preciso entender que vamos estar diante de um cenário desfavorável. Vamos querer trabalhar desenvolvimento regional sem que o governo federal dê importância mínima para o tema, o que se refletiu no projeto apresentado pelo Governo de recriação da Sudene, de péssima qualidade”, afirma.
Ele considera que o substitutivo ao projeto, apresentado pelo senador Antônio Carlos Magalhães é bem melhor que o original, à medida que resgata o Plano de Desenvolvimento Regional; quando procura repassar instrumentos (FNE e cria o FDNE); quando cria a Sudene e atribui a ela questões de desenvolvimento (descentralizando do Ministério da Integração Nacional), mas precisava ser melhorado, o que foi possível graças à mobilização da AFBNB, AABNB e do BNB, ao propor emendas que foram aceitas.
No entanto, defende que o problema do desenvolvimento regional é bem mais antigo e complexo. Por mais que o BNB consiga mudanças no PLC, precisa resolver problemas graves, como encontrar novas receitas que permitam atuar como banco de desenvolvimento e melhorar a política de crédito. “O Estado brasileiro precisa entender que trabalhar crédito como vem fazendo é trabalhar na contramão, se o objetivo é o desenvolvimento. Precisa ter uma política de longo prazo, com juros mais baixos”, defende. “Não se pode imaginar uma nova política sem resolver pendências de FNE e Finor. O espólio do FNE desmobiliza o setor produtivo. Boa parte dessas pendências decorre de incompetência da má política adotada pelo Estado brasileiro”, acrescenta. Além disso, a paralisia de 8 anos da gestão Byron resultou em um atraso muito grande e em um acúmulo de problemas.
Para ele, a política de crédito brasileira, com foco no desenvolvimento, é “mal formulada e mal resolvida”. “A inflação hoje está sob controle, há uma política de estabilização, mas o crédito é irreal, dentro do enfoque desenvolvimentista. A CEF trabalha com juros de crédito de financiamento da casa própria de 8 a 10% ao ano. Em outros países os juros são de 1 a 3%. O BNDES aplica juros de 7%, 8%. A política de crédito está equivocada e o BNB está na esteira”, afirma o economista.
Para mudar esse cenário, Firmo defende que a Banco precisa se redesenhar, redescobrir formas de atuar como um banco de desenvolvimento que é. “De vez em quando o Banco fica em dificuldade e se socorre no FNE para ter receita”. Ele atribui essas dificuldades a questões externas (ausência de uma política de desenvolvimento fortalecida) e internas (o equilíbrio financeiro e a revisão de atividades como o crédito). Do ponto de vista da logística política, da visibilidade e da capilaridade social, o Banco tem que “descobrir uma forma de estar presente nos centros nevrálgicos e de excelência da região. Tem que ser visto com potencialidade”, conclui.
Plano Estratégico – Após a palestra de Firmo, o Superintendente de Suporte Estratégico, José Varela Donato, apresentou o Planejamento Estratégico do Banco para o período de 2004 a 2007. As ações foram pensadas nos níveis estratégico, tático e operacional. Entre os macro-objetivos definidos pelo BNB estão: fomentar a estrutura produtiva da região com financiamento de projetos sustentáveis, no montante de R$12,6 bi; ampliar a participação no mercado de microfinanças (Crediamigo) de 4% para 15%; ampliar em 27% a base de clientes; maximizar o retorno dos créditos; atingir rentabilidade anual de 12%; aprimorar os mecanismo de gestão; maximizar receitas na área comercial no valor das despesas de pessoal, dentre outras.
Para cada objetivo foram pensadas estratégias e metas distribuídas até 2007. Segundo Varela, hoje uma das principais preocupações do Banco é buscar novas fontes. “O presidente Roberto Smith já vem fazendo isso, inclusive com investidores estrangeiros”, afirma. Para ter acesso a outras informações do documento, os interessados devem procurar a área de suporte estratégico.
Para o presidente da AFNBNB, José Frota de Medeiros, o diálogo sobre o planejamento estratégico é uma premissa básica para conhecer as atividades do BNB visando o desenvolvimento regional; é um instrumento poderoso para a defesa do Banco. “A AFBNB compreende a importância de discutir a estratégia do Banco e pretende continuar incentivando discussões que lancem mais luz na compreensão da necessidade de interagir com outros organismos de fomento, articulações institucionais (Senado, Câmara, estados, municípios, movimentos sociais etc), visando o desenvolvimento regional”, afirma Medeiros. Estão previstas palestras sobre políticas de desenvolvimento regional na região, com datas e locais a confirmar.
Assessoria de Comunicação da AFBNB
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