Estupefato, o leitor esfrega os olhos, mas não consegue acreditar no que lê nos jornais. Relê, e continua pasmo. Num país que sofre cronicamente de falta de recursos, vai sobrar dinheiro em 2005. E muito dinheiro, “poupado” pelo governo como resultado de uma política inédita de arrocho.
A intensidade do aperto e a possibilidade de seu prolongamento ao longo dos próximos anos, literalmente, racharam a equipe do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, colocando em trincheiras opostas os ministros da Fazenda, Antônio Palocci, e do Planejamento, Paulo Bernardo, de um lado, e a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff.
Uma crise temperada pela recente tendência de desaquecimento da atividade econômica, confirmada na semana que passou pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e por rumores segundo os quais Palocci estaria considerando a possibilidade de deixar o governo.
Até setembro, o setor público economizou nada menos do que R$ 86,5 bilhões, 24% a mais do que no mesmo período de 2004, antes do pagamento dos juros da dívida pública. O resultado supera em R$ 3,8 bilhões a meta de R$ 82,8 bilhões estabelecida para todo o ano. E corresponde a 6,1% de todas as riquezas que o país teria produzido entre janeiro e setembro de 2005, nas contas do Banco Central (BC).
Fonte: Brasil de Fato (clique aqui para ver a matéria completa) |