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Notícias

  09/11/2005 

BNB ameaçado de perder parte do FNE

O presidente do Banco do Nordeste (BNB), Robert Smith, está em Brasília desde ontem para convencer os senadores a não aprovarem o substitutivo de criação da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). De autoria do senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), relator do projeto original da Câmara dos Deputados, propõe que a operação do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) não seja mais de exclusividade do BNB.
 
O projeto está em pauta para ser votado amanhã na Comissão de Desenvolvimento Regional da Casa. Caso seja aprovado, ainda precisa passar por outras comissões no Senado, ser votado no plenário, e ainda retornar ao plenário da Câmara dos Deputados antes de entrar em vigor.
 
Segundo o diretor de gestão do desenvolvimento do Banco do Nordeste (BNB), Pedro Eugênio de Castro Toledo Cabral, que também está em Brasília junto com um grupo de diretores e técnicos da instituição, o argumento do senador pefelista para o projeto é que o banco tem dinheiro em excesso. No entanto, o diretor observa que o capital a mais refere-se a uma sobra de recursos não investidos da gestão anterior do banco, no período de 2000 a 2002, totalizando R$ 5 bilhões.
 
Pedro Eugênio afirmou que dos R$ 4 bilhões investidos este ano, R$ 2,2 bilhões são recursos novos e R$ 1,8 bilhão, sobra da gestão anterior. Para o próximo ano, a expectativa do banco é repetir os R$ 4 bilhões, dos quais R$ 2,5 bilhões viriam do FNE. ''Dos recursos do FNE, R$ 1,5 bilhão será dirigido para indústria, comércio e agronegócios e R$ 1 bilhão para a agricultura familiar. Vê se um banco comercial privado vai querer operar R$ 1 mil no interior do Ceará'', observa.
 
Outro aspecto ressaltado por Pedro Eugênio na proposta do senador Antônio Carlos Magalhães é a redução do percentual de remuneração do banco. O diretor disse que o BNB recebe 3% do patrimônio do FNE, limitado a 20% do valor que entra anualmente, a título de ganhos. Pela proposta do parlamentar, o teto será reduzido em cinco anos até chegar ao máximo de 10% do total anual.
 
De acordo com Pedro Eugênio, existem outros artigos no novo texto que prejudicam toda a região Nordeste. Entre eles, o que retira o BNB, o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs) e a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) do Conselho deliberativo da Sudene. ''Estamos conversando com os senadores, porque esses pontos são prejudiciais para o Nordeste'', concluiu.
 
Fonte: Jornal O Povo
Última atualização: 09/11/2005 às 11:06:00
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