Escrito em parceria com Giuseppe Mario Cocco, cientista político e professor da UFRJ, o mais recente livro do filósofo italiano Antonio Negri discute as novas formas de poder e as possibilidades de resistência à globalização no contexto político e econômico de países como Brasil, México e Argentina.
Os autores procuram perceber como os três maiores países da América Latina, que experimentaram um processo de desenvolvimento bastante conturbado, enfrentam a globalização, que determina uma transformação geral de parâmetros da vida econômica e democrática.
A reflexão parte de uma hipótese: "a soberania, em nível global, foi definitivamente reduzida a uma relação de forças antagônicas". A relação entre domínio e dominados não pode ser fechada, a soberania contemporânea é um poder sujeito a estímulos diversos, contraditórios.
Para compreender a realidade latino-americana nesse novo contexto, Negri e Cocco analisam o modelo nacional-desenvolvimentista dos anos 1940 e 1950 e sua herança paradoxal de crescimento econômico, aumento da dívida externa e das desigualdades sociais, examinando as ilusões do projeto neoliberal, implantado na região. A realidade atual é um período de invenção e lutas e impõe a busca de novas sínteses e experimentações, livres das camisas-de-força dos dogmatismos - tanto de direita quanto de esquerda. O princípio que defendem é a primazia das lutas sociais e a idéia segundo a qual a inovação, antes de ser técnica, é sempre social.
Fonte: Jornal Valor Econômico |