O resultado do referendo sobre a proibição do comércio de armas de fogo e munição já foi definida com a apuração de 96,47% das urnas. A proibição foi rejeitada por 63,93% dos eleitores. Votaram pelo "sim" 36,07% dos eleitores.
O índice de abstenção até o momento está em 21,54%, um percentual considerado bom para um referendo, segundo o presidente do TSE, Carlos Velloso. Das 323.368 urnas usadas na votação, apenas 2,8 mil foram substituídas, o que representa 0,87% das seções.
O Espírito Santo foi o primeiro Estado a concluir a apuração dos votos do referendo sobre a proibição do comércio de armas de fogo e munição no país. No Estado, 56,38% votaram "não", enquanto 43,62% optaram pelo "sim". Foram 22,81% de abstenções, 1.64% de votos brancos e 1.29% nulos.
Com o resultado, continuam em vigor todas as demais disposições do Estatuto do Desarmamento (Lei 10.826), promulgado em 23 de dezembro de 2003, que já restringe a posse e o uso de armas de fogo às corporações militares e policiais, empresas de segurança, desportistas, caçadores e pessoas autorizadas apenas pela Polícia Federal.
Reviravolta
O resultado confirma reviravolta na opinião pública, apontada pelos institutos de pesquisa ao longo da campanha, que durou 20 dias em horário obrigatório na televisão e no rádio.
Em agosto, segundo o Datafolha, 80% dos entrevistados apoiavam o voto "Sim" (pela proibição). Pesquisa do mesmo instituto divulgada sábado mostrava 57% pelo voto "não" (contra a proibição) e 43% pelo "sim."
Mesmo restrito ao aspecto do comércio legal de armas e munições, o primeiro referendo legislativo da história do Brasil mobilizou o eleitorado. De acordo com o TSE, a abstenção ficou em cerca de 20% dos 123 milhões de eleitores registrados.
Embora tenha sido mínima a participação de dirigentes políticos na campanha contra e favor da proibição, a vitória do "não" será debitada como um fracasso do governo Lula, que se identificou com a proibição. A Igreja Católica e várias denominações evangélicas também se engajaram na campanha do "sim".
Fonte: Correio do Brasil |