A Gtech é uma empresa norte-americana que mantém, desde 1997, contrato para a operação de serviços de informática nas cerca de nove mil casas lotéricas associadas à Caixa Econômica Federal (CEF). Entre 97 e 2003, a Caixa teve um prejuízo de R$ 433 milhões em seu contrato com a Gtech, de acordo com o Tribunal de Contas da União. A Caixa recebeu do Tribunal a recomendação de rescindir o contrato com a Gtech, dividindo a prestação de serviços. Mas a multinacional conseguiu, na Justiça, impedir a alteração do acordo.
No início de 2003, dependente do sistema de loterias da Gtech e correndo o risco de ter esse serviço paralisado, a Caixa renovou o contrato com a empresa norte-americana por 25 meses. Recentemente, em depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos, o procurador-geral da República Lucas Furtado disse que a Caixa tornou-se "refém" da Gtech.
"Apesar de a Caixa fazer de tudo para se livrar dessa multinacional, decisões judiciais sempre garantiram à Gtech a continuidade de um trabalho bastante lucrativo", disse. Segundo ele, de 1997 até 2003, antes da renovação do contrato, a CEF pagou à Gtech R$ 3 bilhões.
A CPI dos Bingos investiga se houve tráfico de influência da Gtech para renovar seu contrato com a Caixa em 2003. Em depoimento, o ex-diretor de marketing da empresa Marcelo Rovai manteve sua versão de que a Gtech foi extorquida pelo ex-assessor da Casa Civil Waldomiro Diniz e pelos advogados Enrico Gianelli e Rogério Buratti. A CPI ainda não concluiu as investigações.
Em outros países a Gtech também se viu envolvida em denúncias de irregularidades com sistemas de loteria. Nos Estados Unidos, um representante de vendas da Gtech foi preso em 1996 em Nova Jersey por tentativa de suborno e fraude em contratos com a loteria local. Na Inglaterra, a Comissão Nacional de Loteria, que regula o setor, fez uma auditoria na qual descobriu que um programa de computador desenvolvido pela Gtech alterava o resultado final dos jogos.
Fonte: Agência Brasil/Radiobrás
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