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Saiu na Imprensa

  21/06/2012 

Ceará mais fraco politicamente no BNB

A saída de Jurandir Santiago transforma radicalmente o desenho político do Banco do Nordeste (BNB). O novo cenário não é nada promissor para o Ceará. Paulo Sérgio Rebouças Ferraro, atual diretor de Negócios, assume interinamente a presidência com o respaldo político do governador baiano Jaques Wagner (PT). Considerado da cota do deputado federal Eudes Xavier (PT), o diretor Administrativo e de Tecnologia da Informação, Stélio Gama Lyra Júnior, chegou a ser sondado, mas não aceitou o cargo. Ele será remanejado para a diretoria de Gestão do Desenvolvimento.

O ex-ocupante da cadeira, José Sydrião de Alencar Júnior, foi exonerado na tarde de ontem. Para o antigo lugar de Stélio, Nelson Antonio de Souza foi importado da diretoria da Caixa Econômica Federal. Isidro Moraes também foi afastado da diretoria de Controle e Risco - mais estratégica que nunca na atual conjuntura. Para seu lugar, o escolhido foi Manoel Lucena dos Santos, dos quadros da Receita federal e que já trabalhou com o senador José Pimentel (PT) no Ministério da Previdência. As mudanças foram todas decididas a partir do Ministério da Fazenda. Na próxima segunda-feira, a presidente Dilma Rousseff marcou reunião com o ministro Guido Mantega, para começar a resolver, em definitivo, como ficará a nova diretoria.

Os governadores tradicionalmente participam dessa conversa. Cid Gomes (PSB) deverá jogar todo seu peso político e o prestígio de que desfruta no Palácio do Planalto. A parada não será fácil. Há décadas a Bahia tentava desbancar o Ceará do comando. Agora que conseguiu a vaga interinamente, não será operação simples removê-lo. Ainda mais se levando em conta que Jaques Wagner, petista amigo de Lula, vem de recentes derrotas com a saída de apadrinhados seus da presidência da Petrobras e do Ministério do Desenvolvimento Agrário.

Além disso, fraudes constatadas fragilizaram os cearenses. No mesmo dia, o Estado perdeu o presidente e dois dos seis diretores. Só ficou Stélio. Personagens importantes da política local não escondiam a decepção na noite de ontem.

A PROTEÇÃO DE QUE O BNB PRECISA

O Banco do Nordeste está entre os últimos resquícios do conjunto de equipamentos de que o Brasil dispunha para formular e executar políticas de desenvolvimento regional e superação das desigualdades. Sua importância é crucial e ele precisa, sim, ser preservado. Protegido, antes de mais nada, da corrupção, das fraudes, de tudo que o desvie da missão crucial que desempenha. Essa é a maior ameaça a qualquer instituição. Além disso, é preciso blindar o banco da politicagem de quem quer controlá-lo a todo custo e do lobby de gente que sempre foi contra sua existência.

A história do BNB mostra quão dura foi a batalha pela sua criação, confrontando interesses que estão aí até hoje. O combate às desigualdades esbarra em interesses poderosos. As disparidades regionais só podem ser atacada quando se trata de forma desigual os diferentes.

Evidentemente, com objetivo de favorecer as partes mais pobres do País. Isso contraria os estados mais ricos. Não pelo interesse na desigualdade em si - o desnível, em última instância, é ruim para todos. O que não admitem é a inversão de prioridade. É serem preteridos em benefício do Norte e do Nordeste.

O fim da Sudene foi resultado da ação de aproveitadores, que se valeram das fraudes para avançar no desmonte dos equipamentos até então responsáveis por planejar e coordenar as políticas regionais. O arremedo feito no governo Lula, ao qual chamaram de nova Sudene, é uma vergonha e um desrespeito. O fantasma está presente e é imprescindível repudiar com veemência qualquer articulação parecida que se insinue. Afinal, os mesmos interesses permanecem bem vivos por aí.

Só não venha ninguém dizer que proteger o BNB é acobertar, abafar, deixar de investigar as irregularidades que são denunciadas. Isso blinda o banco por um lado, mas o joga em buraco ainda maior por outro.

Também não se confunda a defesa da entidade com a proteção às pessoas que hoje o representam. Resguardar a instituição pode significar, eventualmente, protegê-la também de seus dirigentes. Aliás, os mesmos que devem zelar mais que ninguém pelo patrimônio que têm em mãos - sobretudo, ao não roubar e ao não deixar que ninguém roube.

Fonte: O Povo (Coluna Política)
Link: http://www.opovo.com.br/app/colunas/politica/2012/06/21/noticiaspoliticacoluna,2862976/ceara-mais-fraco-politicamente-no-bnb.shtml
Última atualização: 21/06/2012 às 16:07:08
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