A Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS), que congrega CUT, UNE, MST e as principais entidades representativas dos segmentos populares do nosso país, realizará sua terceira plenária nacional neste final de semana em São Paulo com o desafio de revigorar suas forças para ampliar a pressão pelas mudanças na política econômica, libertando o Brasil das amarras do sistema financeiro e construindo a justiça social.
Responsável pelas maiores mobilizações contra a tentativa golpista da mídia de encurtar o mandato do presidente Lula e em defesa do projeto político que o elegeu, desde os primeiros ventos da atual crise política, a CMS afirmou em sua Carta ao Povo Brasileiro a necessidade de “reconstruir uma nova maioria política e social em torno de uma plataforma anti-neoliberal”.
Diante do ataque da direita, por duas vezes fomos até o presidente, onde lhe entregamos em mãos nossas propostas, cuja espinha dorsal é a construção de um novo modelo de desenvolvimento, sustentável, soberano, sem o qual a cidadania é mera obra de ficção, afogada na miséria, na fome e na exclusão. Infelizmente, o presidente não correspondeu ao nosso aceno e, pior, ao invés de estreitar os laços com os movimentos sociais, preferiu aprofundar sua relação com o fisiologismo partidário inteiramente descomprometido com a mudança.
Para nós, é inconcebível que o país continue sendo sangrado para engordar meia dúzia de agiotas e especuladores, que sobrevivem da parasitagem das nossas economias por meio do absurdo superávit primário e das mais altas taxas de juros de todo o mundo. Precisamos de um novo modelo de desenvolvimento, que priorize as necessidades do povo e coloque o ser humano no centro.
SANGRIA - Conforme dados do próprio Banco Central, os gastos com juros atingiram a escandalosa cifra de R$ 150 bilhões nos últimos doze meses, escancarando até onde chega o favorecimento ao setor financeiro, notoriamente controlado pelos bancos estrangeiros. Para pagar essa montanha de dinheiro, até agosto, o superávit primário já alcançava R$ 78,9 bilhões (6,3% do PIB), superior portanto aos 4,25% do PIB acordados com o FMI. Apesar disso, a dívida líquida do setor público continuou crescendo, atingindo R$ 973,7 bilhões (51,7% do PIB), um crescimento de R$ 1,9 bilhão em relação a julho. Uma lógica irracional que rendeu elogios à equipe econômica nos antros financeiros internacionais, mas que tem seu custo social ao alcance dos nossos olhos, com o agravamento da desigualdade e da violência.
É importante ressaltar que o mesmo monopólio dos meios de comunicação que fabrica crises e transforma boatos em fatos contra os avanços obtidos pelo nosso governo - particularmente no que diz respeito à sua política externa, de não aceitar a submissão à Alca e as imposições norte-americanas, de construir alianças com base em nossos interesses estratégicos, históricos e culturais e ampliar relações e mercados – quando o assunto é política econômica, tenta a todo custo blindar os aspectos mais nefastos e anti-nacionais, na busca de perpetuar a herança legada pelos tucanos.
DEMOCRATIZAÇÃO - No nosso entender, só haverá uma plena democratização da sociedade brasileira quando for extirpado o câncer dos monopólios dos meios de comunicação, hipertrofiado hoje nas mãos de poucas famílias. É preciso fortalecer as redes públicas de rádio e televisão, bem como as redes comunitárias, para garantir o mais amplo debate sobre os novos rumos para o país, mas também para divulgar os êxitos que começamos a obter. Reafirmamos que é pelos avanços deste governo que o PSDB e o PFL pretendem enfraquecê-lo ou derrubá-lo e que não há saída à esquerda. Com todos os problemas apontados, continuamos apostando no governo Lula, acreditando que este governo ainda reúne as condições para, enfrentando os seus inimigos, externos e internos, cumprir com o seu papel histórico e honrar a confiança depositada por 53 milhões de eleitores.
E é justamente para que dê certo, que voltaremos às ruas. Queremos que o Orçamento de 2006 contemple as necessidades da nossa gente, dos trabalhadores do campo e da cidade, das donas de casa, dos estudantes, dos sem teto, sem terra, sem emprego, dos oprimidos nas imensas e crescentes periferias, de um povo pobre num país com riqueza abundante. Por isso reafirmamos a necessidade da taxação das grandes fortunas, como forma de financiar a crescente valorização do salário mínimo; reforçamos nossa luta pela conversão dos recursos da dívida externa em investimentos na educação pública; pela suspensão dos leilões do petróleo e uma nova lei que preserve o patrimônio nacional; pelo fortalecimento do serviço público e das políticas sociais; por uma reforma política democrática com financiamentos públicos, para pôr fim à escandalosa interferência do poder econômico.
MOBILIZAÇÃO E ESPERANÇA - Lembro de uma das muitas conclamações, cada vez mais atuais, da Carta ao Povo Brasileiro: “Diante da atual crise, o governo Lula terá a opção de retomar o projeto pelo qual foi eleito, e que mobilizou a esperança de milhões de brasileiros e brasileiras. Projeto este que tem como base a transformação da sociedade e do Estado brasileiros, uma sociedade dividida entre os que tudo podem e tudo têm e aqueles que nada podem e nada têm”.
Ampliando para o espectro latino-americano, participei recentemente em Caracas, representando a CMS e a CUT, de uma importante reunião do Secretariado Político do Congresso Bolivariano dos Povos (CBP), onde fortalecemos nosso compromisso com uma integração soberana, com solidariedade e complementação das nossas economias. Para isso, naturalmente, necessitamos amplificar a luta contra as chantagens e ingerências de todo tipo realizadas pelo imperialismo norte-americano sobre nossos países e povos, que tenta desunir para reinar.
Voltando à nossa trincheira verde e amarela, nos próximos dias 28, 29 e 30 de novembro, durante a II Marcha Nacional pelo aumento do salário mínimo e pela redução da jornada, teremos uma nova oportunidade de demonstrar o nosso compromisso com o povo brasileiro, e reafirmar que ou o Brasil acaba com essa política econômica ou ela acaba com o Brasil.
Fonte: CUT
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