O chefe de Gabinete da Presidência do Banco do Nordeste (BNB), Robério Gress do Vale, foi exonerado do cargo por acusação de envolvimento em um esquema fraudulento, que teria desviado R$ 100 milhões para o Caixa 2 de campanhas eleitorais de petistas do Ceará. O presidente da instituição, Jurandir Santiago, atendeu a uma ordem da própria presidenta Dilma Rousseff para exonerá-lo. O escândalo está relacionado ao ‘Mensalão’, pois em 2005 um assessor parlamentar do então deputado estadual José Nobre Guimarães (PT) foi detido pela Polícia Federal no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, com US$ 100 mil em espécie escondidos na cueca, segundo matéria publicada pela revista Época, no último fim de semana.
As investigações apontaram que o dinheiro era propina recebida pelo então chefe de gabinete do BNB e ex-dirigente do PT, Kennedy Moura, para acelerar empréstimos junto ao banco. Após sete anos, uma auditoria interna do BNB e outra da Controladoria Geral da União (CGU) revelam um novo esquema de desvio de dinheiro. Somente a empresa dos cunhados do ex-chefe de gabinete Robério Gress recebeu quase R$ 12 milhões. Sucessor de Kennedy Moura, ele foi o quarto maior doador como pessoa física para a campanha de 2010 do hoje deputado federal José Guimarães. A PF está investigando o caso, com base em auditorias do BNB e da CGU, que encontraram indícios de fraude em 24 operações de crédito envolvendo petistas.
NOTAS OFICIAIS
Robério Gress disse, em nota, que está disposto a prestar todos os esclarecimentos à PF, pois tem quase 30 anos de serviços prestados ao BNB. “Como funcionário de carreira, técnico desta instituição, tendo exercido dentre outras funções a chefia de Gabinete na gestão Roberto Smith e na atual, nunca me envolvi em defesa de quaisquer interesses de pessoas, parentes e afins”, disse.
Mais adiante o ex-chefe de Gabinete do BNB destaca: “Ao longo de minha trajetória nesta instituição, nas várias funções que exerci, sempre pautei minha vida pela ética, moralidade e a transparência”. Sobre a acusação de que foi um dos principais doadores da campanha de José Guimarães, Robério Gress admite que foi um dos contribuintes do petista, com um valor de R$ 10 mil.
Já a nota do BNB diz que o banco passou a interagir “espontaneamente com a CGU e a PF para esclarecer o caso”. Revelou que Robério é funcionário de carreira há mais de 28 anos e será remanejado para outro cargo dentro da instituição, sem revelar qual. Confirmou que foi realizada uma auditoria interna para apurar supostas irregularidades na concessão de empréstimos, entre 2009 e 2011. “Esta instituição, tão logo tomou conhecimento, ainda em julho de 2011, dos primeiros indícios de irregularidades, adotou imediatamente todas as providências que a situação reclamava”.
Segundo o banco, foram abertas quatro sindicâncias, que ainda estão em andamento, mas que já confirmaram a existência de fraudes. O BNB, porém, não cita o valor que teria sido desviado. De acordo com as investigações, as empresas MP Empreendimentos, Destak Empreendimentos e Destak Incorporadora obtiveram financiamentos de R$ 11,9 milhões, e as mesmas pertenceriam aos irmãos da mulher de Robério Gress, que acabou exonerado pela diretoria do banco.
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