O plano dos Estados Unidos de realizar uma aparente transição para a democracia em Cuba é na verdade um cronograma de anexação. A denúncia foi feita pelo presidente da Assembléia Nacional do Poder Popular, Ricardo Alarcón. Ele coordenou ontem uma audiência pública sobre o bloqueio que Washington mantém contra a ilha há mais de quatro décadas.
O chefe do Parlamento cubano informou que esse plano é a aplicação ao pé da letra da Lei Helms-Burton, que reforça o embargo comercial, financeiro e econômico com o propósito de derrubar o processo revolucionário em Cuba. “Se no Iraque nomearam um pró-consul depois da invasão, em Cuba o fizeram já de antemão”, afirmou em referência à designação de um funcionário do Departamento de Estado a cargo da “transição e da estabilidade em Cuba”.
Entre as responsabilidades deste funcionário norte-americano está devolver as propriedades nacionalizadas pelo Estado cubano. Alarcón explicou que isso significa a retirada de milhões de cubanos de suas moradias e de milhares de camponeses de suas terras. Ele também lembrou que 85% dos cubanos são proprietários de suas casas, graças à reforma urbana e outras legislações revolucionárias do governo socialista de Fidel Castro.
Perseguição econômica
Segundo Osvaldo Martínez, presidente da Comissão Econômica do Parlamento, a Casa Branca persegue a conversão econômica da Ilha em apêndice do estado da Flórida. Nesse sentido, “planeja aplicar aqui [em Cuba] os planos de ajuste neoliberal e as experiências de desmantelamento do socialismo no leste europeu e da União Soviética”, denunciou. Privatizar os bancos, controlar a produção, a aplicação do orçamento, reformar o setor público e desenvolver um mercado de hipotecas estão entre as pautas da anexação denunciadas na audiência.
Entre os objetivos dos EUA está o de derrubar a Constituição Cubana pela via de ordens executivas de “um desejado governo títere dos Estados Unidos", apontou José Luis Toledo, a frente da comissão de Assuntos Constitucionais e Jurídicos.
O documento estadunidense com mais de 400 páginas do informe sobre a “transição livre” em Cuba ordena o julgamento e a perseguição de ex-dirigentes governamentais e do Partido Comunista, e dos membros das organizações sociais e de massas, que integram milhões de cubanos, apontou. “Seria voltar à Cuba de antes, de políticos de aluguel, do controle da embaixada norte-americana e da exclusão da maioria dos cidadãos”. As informações são da Prensa Latina.
Fonte: Diário Vermelho
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