De Norte a Sul do Brasil, milhares de bancários pararam hoje numa greve de 24 horas e deram seu recado aos patrões: se não apresentarem uma proposta decente irão enfrentar a intransigência dos banqueiros e atender a convocação para a greve à partir do dia 06/10. No Rio de Janeiro, a greve prossegue nesta quinta-feira.
O movimento no dia de hoje cumpriu com o objetivo estabelecido pelo Comando Nacional, que era de envolver as maiores concentrações bancárias de cada região para demonstrar a insatisfação da categoria e convocar os trabalhadores para participarem massivamente no Encontro Nacional no próximo sábado, às 10h, em São Paulo.
A greve de advertência realizada hoje foi um sucesso de mobilização e parou vinte estados, incluindo o Distrito Federal. “O protesto de hoje mostrou que os bancários estão unidos em torno de um objetivo e dispostos a lutarem por ele. Os banqueiros que abram o olho se não quiserem a greve, porque seus empregados querem e merecem compartilhar um pouco dos polpudos lucros que ajudamos a construir”, disse Vagner Freitas, presidente da Confederação Nacional dos Bancários (CNB/CUT).
Para Jacy Afonso, presidente do Sindicato dos Bancários de Brasília, depois da largada vitoriosa - com a paralisação da semana passada na capital federal e da greve de 24 horas hoje - está dado um recado mais do que claro aos banqueiros. “Queremos uma proposta que atenda nossas reivindicações ou se prepararem para uma greve por tempo indeterminado”, disse.
A presidente do Sindicato dos Bancários de Curitiba e Região, Marisa Stedile, afirmou que os banqueiros não entendem outra linguagem a não ser a da pressão. “Foram intransigentes e arrogantes enquanto nós nos mostrávamos dispostos a dialogar e negociar. Chegou a hora de mostrar que também temos nossas armas e que sabemos usá-las”, comentou. Para ela, demonstrando união, “vamos finalmente alcançar nosso objetivo: repartir o lucro com quem trabalha. Não é hora de esmorecer. È hora de lutar”.
Na avaliação do presidente da Federação dos Bancários da CUT de São Paulo, Sebastião Geraldo Cardozo, o Tião, o ponto negativo das atividades de hoje foi a truculência da Polícia Militar e da Justiça, que não se negou a lançar mão do arcaico Interdito Proibitório para barrar a greve. “É um atentado contra a democracia e a liberdade de expressão em pleno século XXI. Sem contar o desrespeito à Constituição Federal, haja vista que a greve é um direito garantido”, desabafa o dirigente após presenciar, nesta manhã, o uso da força policial na agência do Itaú Boa Vista, no Centro Velho da capital paulista. Para ele, na época da ditadura “a repressão era na porrada, hoje, se dá também no Judiciário. Como os juízes podem se render ao artifício dos bancos e prender dirigentes sindicais como se estivéssemos nos apropriando de bens alheios?”, questionou.
Em Pernambuco, apesar dos interditos, o movimento transcorreu com tranqüilidade, “o que revela a disposição dos bancários", avalia Marlos Guedes, presidente do Sindicato. O presidente do Sindicato dos Bancários de Campina Grande e Região, Rostand Lucena, completa: “a paralisação foi uma advertência aos bancos. Se até o próximo dia 05 de outubro os banqueiros não apresentarem na mesa de negociação proposta de reajuste digna, vamos deflagrar greve da categoria em todo o país por tempo indeterminado”, enfatizou.
Para saber como foi a paralisação nos estados, acesse o site da CNB/CUT
Fonte: CNB/CUT |