O mundo conta, agora, com um contingente médico disposto a prestar serviço em qualquer lugar ameaçado por uma epidemia ou catástrofe. No dia 20, o presidente cubano, Fidel Castro, anunciou a criação de uma equipe de socorro com 1,586 mil jovens doutores dispostos a atuar em todo o planeta. A gênesis dessa nova iniciativa do governo cubano data do dia 4, quando Castro ofereceu ajuda humanitária aos Estados Unidos severamente afetados pelo furacão Katrina, que deixou milhares de mortos.
Batizada de Contingente Internacional de Médicos Especializados em Situações de Desastres e Graves Epidemias Henry Reeve, a equipe de cubanos prestará assistência também nas regiões pobres do planeta "onde especialistas dos países ricos nunca chegam", como disse Fidel, durante o lançamento do contingente. "Nós oferecemos formar profissionais contra a morte, demonstramos que o ser humano pode e deve ser melhor, demonstramos o valor da ética e da consciência", discursou o presidente cubano na cerimônia que também celebrou os graduados das faculdades de Ciências Médicas em todo o país.
Os médicos do Continente Internacional Henry Reeve vão receber uma formação com ênfase nos conhecimentos aprofundados de epidemiologias e enfermidades, aprenderão outros idiomas, terão boas condições físicas e deverão estar aptos a atuar em diversos lugares. "Seus integrantes devem atender às populações em caso de furacão, inundações, epidemias, como a dengue hemorrágica que mata crianças em muitos países", explicou Fidel.
AVANÇOS EM SAÚDE O presidente cubano aproveitou também para assumir novos compromissos com o povo da ilha caribenha em relação a melhorias no campo da saúde. Fidel afirmou que Cuba está próxima de reduzir a mortalidade infantil para menos de 4 falecidos em mil nascimentos (para efeito de comparação, no Brasil, esse número é de 27 mortos) e, em breve, poderá superar o Canadá nesse campo.
Outro compromisso de Fidel foi o de elevar a expectativa de vida do cubano para os 80 anos. Hoje, esse indicador está na faixa dos 77,5 anos - já, no Brasil, a expectativa de vida dos brasileiros é de 71,3 anos. O presidente lembrou que, em 1959, quando a revolução cubana triunfou, os cubanos viviam em média 60 anos. "Essas palavras podem parecer presunçosas se não lembrarmos que Cuba é, com toda justiça, o país que mais tem feito por compartilhar com o mundo experiências e conhecimento médico", disse Fidel, acrescentando que, mesmo em caso de diferenças ideológicas, o povo cubano deixou de prestar assistência a quem necessitasse. Na ocasião, o líder da revolução cubana reafirmou outro compromisso de seu governo: formar cem mil médicos latino-americanos e caribenhos em uma década, na Escola Latino-Americana de Medicina (Elam).
Fidel criticou também o caminho que os serviços médicos têm tomado nas sociedades de consumo. "Esses serviços são inacessíveis para os setores mais pobres e, enquanto isso, os gastos militares crescem a uma quantia comparável apenas aos gastos com publicidade", afirmou. (Prensa Latina, www.prensa-latina.com)
Fonte: Jornal Brasil de Fato
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