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Notícias

  26/09/2005 

São Paulo concentra benefícios da expansão econômica do país

O trabalhador que vive em São Paulo está sentindo mais os efeitos positivos do atual período de expansão da economia brasileira do que aqueles que vivem em centros menos desenvolvidos, como Recife e Salvador. É o que indicam os dados sobre desemprego divulgados nesta semana pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Considerando um período de dois anos, entre agosto de 2003 e agosto de 2005, a taxa de desemprego caiu em todas as seis regiões pesquisadas pela entidade. São Paulo é o grande destaque. Nesse período, a taxa de desemprego na região metropolitana mais rica do país recuou 36,9% (de 14,9% da população economicamente ativa para 9,4%). Em seguida vem Belo Horizonte, com um recuo de 31,4% no índice, seguida por Porto Alegre (-22,4%), Rio de Janeiro (-22,1%), Salvador (-11,9%) e Recife (-10,6%).

Os números revelam que a estrutura produtiva de São Paulo, na qual o setor industrial tem papel central, está respondendo com mais rapidez à atual conjuntura. Segundo Cimar Azeredo, gerente da pesquisa de emprego do IBGE, a imagem de que São Paulo é a locomotiva do país não está desatualizada. “As cidades do interior absorveram indústrias, muitas vezes atraídas por incentivos fiscais, mas nada que abalasse a blindagem que São Paulo possui”, disse o economista.

O maior benefício trazido por essa blindagem é a geração de postos de trabalho. Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados nesta semana pelo Ministério do Trabalho revelam que, pelo menos em agosto, o Estado de São Paulo concentrou os novos empregos que surgiram. No mês passado, foram gerados no país 135.460 vagas, das quais 55.956 (ou 41,3% do total) no Estado, que respondeu por 33,4% do PIB (Produto Interno Bruto) em 2004.

Para Cimar Azeredo, algumas especificidades do mercado de trabalho paulista ajudam a explicar o atual cenário. A primeira delas é a forte presença do setor industrial, que tem a capacidade de impulsionar outros ramos da economia. Em São Paulo, 21,8% dos ocupados trabalham nesse setor, contra 11% em Recife, onde o desemprego tem recuado mais lentamente.

A segunda especificidade é o nível de informalidade. Quanto maior ela for, maior é a dificuldade de uma região partilhar de um ciclo econômico positivo. “Recife foi ao fundo do poço com a recessão de 2002 e sofreu um grande processo de informalização”, disse Azeredo. Entre agosto de 2002 e o mesmo mês de 2003, a parcela dos ocupados que trabalham por conta própria – dos quais a maioria está no mercado informal – passou de 22,7% dos ocupados para 24,7%. Desde então esse índice vem caindo, mas ainda não voltou aos níveis de 2002 – foi de 23,2% em agosto deste ano.

Já no caso da região metropolitana de São Paulo, a parcela de trabalhadores por conta própria também cresceu de 16,4% dos ocupados para 18,5%, entre agosto de 2002 e o mesmo mês de 2003. Desde então, esse índice começou a recuar e já voltou aos níveis de 2002 no mês passado, com 16,4%.

Concentração
Para economista Marcio Pochmann, professor do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit) da Unicamp, a expansão do emprego em São Paulo tem evitado que o “desemprego médio [do país] suba”. A explicação, diz ele, está na estrutura produtiva do Estado, “com a indústria na região metropolitana e o agronegócio no interior”.

“São Paulo tem a mais importante estrutura produtiva do país e isso faz com que a região sempre reaja mais rapidamente quando há condições para a expansão econômica”, explica. Mas o contrário também é verdadeiro. “Quando há desaceleração, o desemprego aumenta mais em São Paulo do que em outras regiões, que se seguram com comércio e agricultura, por exemplo”, diz o economista, que foi secretário do Trabalho e Emprego da prefeita Marta Suplicy na capital paulista.

O atual ciclo econômico, que para Pochmann não deve alterar o padrão de concentração da economia brasileira no Sudeste, tende a continuar beneficiando o mercado de trabalho. A avaliação é do IBGE. De acordo com Cimar Azeredo, o aumento da atividade no comércio e no setor turístico, o que é sazonal nos últimos meses do ano, deve gerar mais postos e contribuir para a queda do desemprego.

O IBGE não faz uma previsão de quanto será a taxa de desemprego no final do ano, mas o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), também um órgão oficial, já divulgou a sua: estima que a taxa média de desemprego do país, hoje em 9,4%, recuará para 8,0% em dezembro. Isso se São Paulo ajudar.
 
Fonte: Agência Carta Maior

Última atualização: 26/09/2005 às 10:50:00
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