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Notícias

  23/09/2005 

Governo tem que investir no NE para evitar apagão

O risco de falta de energia na região Nordeste está acima do normal para o ano de 2009. Segundo o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), o risco de déficit de energia (o temido apagão), na região está em 9,2%, quando o aceitável é de 5%.

O diretor-geral do ONS, Mário Santos, considera que, apesar do risco, a situação está sob controle. ‘‘No novo modelo do setor elétrico, há uma mudança substantiva. Existe o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico que vê os problemas com quatro anos de antecedência’’, afirmou.

O risco é calculado com base em séries históricas sobre a quantidade de chuvas em cada ano em cada região do País. Os cálculos do ONS levam em conta a capacidade de interligação do sistema elétrico – capacidade que a região Sudeste tem de mandar energia para o Nordeste, por exemplo – e conclusão de obras de aumento da capacidade de geração já em andamento. O ONS considera, ainda, o aumento da demanda por energia.

Para contornar o problema, o ONS sugeriu que o governo tente normalizar o fornecimento por meio da termelétrica de Araucária (PR) e das interligações com a Argentina.

IMPROVÁVEL – O governo conseguirá adotar medidas para evitar que as regiões Norte e Nordeste venham a ter problemas no suprimento de energia elétrica a partir de 2009, segundo o secretário de energia do Ministério de Minas e Energia (MME), Ronaldo Schuck.

O cenário foi traçado no documento ‘‘Planejamento Anual da Operação Energética 2005-2009’’, do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), divulgado na última quarta-feira.

Segundo ele, o governo está acelerando algumas obras para fazer com que o risco de déficit naquelas regiões volte a ficar abaixo de 5%, considerado confortável.

Schuck apontou que a retomada do contrato de fornecimento de energia ao Brasil pela Argentina, no montante de 2.178 MW, já tornará viável a normalização de todo o sistema interligado, incluindo o Nordeste.

A Argentina não tem garantido energia ao Brasil no montante contratado desde o início deste ano, quando passou a ter problemas no suprimento de gás natural para as suas próprias necessidades.

O técnico do governo disse que os dois países têm conversado bastante sobre esse tema e ele acredita que será possível regularizar o acordo a partir de 2008. ‘‘Na semana passada tivemos uma reunião de dois dias com técnicos do governo argentino sobre isso. Sabemos que em 2006 e 2007 isso não será possível, mas há boas possibilidades de regularização a partir de 2008’’, disse Schuck.

O técnico do governo apontou ainda que há diversas obras em andamento que facilitarão a operação do sistema interligado. Além de novas linhas de transmissão, o governo conta com maior uso das usinas termelétricas.

Schuck está convicto de que a térmica de Araucária (PR), de 480 MW, poderá iniciar operações nos próximos anos, bastando equacionar as pendências entre o governador Roberto Requião e o grupo El Paso, que controla a usina.

Ele também não tem dúvidas quanto à implementação do gasoduto interligando as redes do Sudeste e do Nordeste, o Gasene. ‘‘A Petrobras tem conversado com o governo todos os meses relatando o andamento do projeto’’, comentou. Ele admite que o principal problema ainda é o licenciamento ambiental, mas o governo está atento à questão.

‘‘Temos um comitê especial para acompanhar todos os projetos que exigem licenciamento ambiental e estamos tentando agilizar as licenças’’, enfatizou.

Fonte: Folhapress e Agência Estado

Última atualização: 23/09/2005 às 10:36:00
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