O presidente venezuelano, Hugo Chávez, fez um discurso polêmico na Cúpula Mundial das Nações Unidas. Afirmou que do evento sairá um documento nulo e ilegal. Demandou, além disso, que a sede da ONU esteja numa cidade da América do Sul. Segundo a imprensa americana, Chávez afirmou que, hoje, a entidade não serve para nada.
A Assembléia Geral congrega presidentes, Chefes de Governo e reis de 170 dos 191 estados membros, e começou na última quarta-feira, 14. Chávez disse ainda que o documento é ilegal porque foi aprovado violando as normas da ONU "com uma postura ditatorial", cinco minutos depois de ser entregue aos delegados apenas em inglês.
O diretor do Programa para o Milênio da ONU, Jeffrey Sachs, sustenta que a agressividade com a qual o Governo dos Estados Unidos tentou impedir um bom resultado de consenso na Cúpula da ONU vem da ignorância em reconhecer o combate contra a pobreza como uma meta estratégica.
Segundo os especialistas, inicialmente, esta reunião cúpula foi convocada para realizar um balanço das Metas do Milênio, objetivos que se traçaram na Assembléia Geral em 2000, e cuja finalidade era reduzir a pobreza global em 50% para 2015. Mas a negociação da aprovação do documento não foi aberta. Ficou numa equipe de representantes de pouco mais de 30 países.
No documento, por exemplo, se propõe a criação de uma Comissão para a Construção da Paz que não estabelece número de membros, mas indica que haverá representação dos que mais contribuam com tropas e dinheiro. A Comissão de Direitos Humanos, com sede em Genebra, se pleiteia convertê-la num Conselho, mas se sabe que as intenções de Washington são de reduzir o máximo possível o número de membros e reforçar a instituição como um instrumento para condenar países subdesenvolvimento, quando os ricos considerarem que há violações dos direitos humanos.
Os EUA impediram que fossem incluídas no documento a ajuda para o desenvolvimento, o tema do meio ambiente, e ainda se opôs à menção das Metas do Milênio e à inclusão do Tribunal Penal Internacional.
Outros presidentes latino-americanos também reforçam as críticas de Hugo Chávez, como o do Chile, Ricardo Lagos; do Uruguai, Tabaré Vázquez; e o equatoriano, Alfredo Palacio.
Fonte: Adital - Agência de Notícias da América Latina e Caribe
|