O governo de Hugo Chávez pretende ter representantes nos conselhos das instituições financeiras
Segundo o jornal britânico de economia Financial Times de 2 de setembro, o superintendente de bancos e instituições financeiras da Venezuela, Trino Alcides Díaz, avisou dirigentes de vários bancos que o governo pretende colocar dois representantes em cada um dos conselhos de administração dessas instituições. Essa disposição poderá ser incluída no projeto de uma nova lei bancária a ser discutida pelo Parlamento nas próximas semanas.
Haverá quem diga que se trata de uma medida anticapitalista. Cuida-se, porém, de evitar a sabotagem de políticas públicas pelo setor financeiro, inconformado com os regulamentos impostos pelo governo e garantir o fluxo de crédito para os necessitados. O banqueiro Oscar García Mendoza, presidente do Banco Venezolano de Crédito, por exemplo, queixou-se nos meios de comunicação da lei que o obriga a destinar 10% de suas carteiras de crédito à habitação popular: "São para pessoas que ganham 500 mil bolívares (R$ 540), o que indica que seriam casas de 25 metros quadrados, coisa impossível de financiar".
O governo não acha impossível, especialmente considerando-se que seu setor financeiro, assim como o brasileiro, é um dos mais lucrativos da América Latina e depende fortemente do Estado: a dívida pública representa 60% dos ativos dos bancos (no Brasil, 27%) e o governo federal é o maior depositante em quase todos. Será, no mínimo, interessante acompanhar como se sairá um país latino-americano, no qual a simbiose entre o setor financeiro e o público significará colocar o primeiro a serviço do segundo e não o contrário.
Fonte: Revista Carta Capital |