Rico devido aos lucros obtidos pelos altos preços do petróleo, o presidente venezuelano Hugo Chávez intensificou a sua mensagem revolucionária para a América do Sul, oferecendo aos países lucrativos acordos comerciais e de energia.
A Venezuela, quinto exportador mundial de petróleo, assinou recentemente acordos de energia com Argentina, Uruguai e países caribenhos, comprou títulos argentinos e se ofereceu para enviar petróleo bruto ao Equador, cuja produção foi comprometida por protestos.
A campanha de Chávez irrita Washington. Mas numa região onde o eleitorado pendeu para a esquerda, os governos estão equilibrando a cooperação com uma potência petrolífera, contra as acusações dos Estados Unidos de que o líder populista é um inimigo da democracia, segundo analistas e diplomatas.
"O apoio de Chávez na região é resultado de relações convenientes e pragmáticas para a maioria e de ideologia para alguns, pelo menos neste momento", disse Patrick Esteruelas, analista latino-americano da consultoria de risco Eurasia Group.
Um ex-soldado e aliado do cubano Fidel Castro, Chávez promove sua revolução socialista contribuindo para financiar um canal regional de TV, enviando ajuda médica gratuita e vendendo parte do combustível em troca de alimentos.
O presidente venezuelano diz que esses acordos contrabalançam o fracasso dos acordos comerciais apoiados pelos EUA, Banco Mundial e Fundo Monetário Internacional em combater a pobreza crônica.
"O século 21 nos verá unidos ou dominados", disse recentemente Chávez em uma viagem ao Uruguai.
Chávez, que compara sua campanha à luta de Simón Bolívar para libertar a América do Sul da Espanha na época colonial, conquistou simpatia com uma mensagem que, para muitos, contrasta totalmente com os sinais contraditórios que vêem de Washington.
Mas, ao mesmo tempo que a maioria dos governos da América do Sul até agora descarta as acusações dos EUA de que Chávez apóia os rebeldes esquerdistas colombianos e grupos subversivos na Bolívia e no Equador, eles também não gostam da sua retórica e do confronto com Washington.
O líder venezuelano acusa as autoridades dos EUA de conspirar para assassiná-lo, enquanto Washington afirma que ele é uma força desestabilizadora na América do Sul e que reprimiu inimigos em seu país.
"Não temos a mesma linha ideológica, apesar de alguns políticos terem", disse um diplomata da região, que pediu para permanecer no anonimato, para que pudesse falar mais livremente. "Mas não acho que se possa apresentá-lo como uma ameaça como se estivéssemos na Guerra Fria".
ATINGINDO UM NERVO
O apoio a Chávez também é moderado pelo fato de que os Estados Unidos continuam a ser o maior parceiro comercial da maioria da América do Sul.
Alguns analistas questionam se os acordos de cooperação de Chávez durarão no caso de os preços do petróleo caírem e acreditam que, além dos acordos bilaterais, os seus programas mais ambiciosos, como uma alternativa ao pacto de livre comércio das Américas, ainda não passam de idéias.
Mas os ataques contra o capitalismo dos EUA atingem um nervo dos pobres países andinos, como a Bolívia, onde os líderes indígenas clamam por mudanças, depois de anos do que consideram o fracasso de políticas de livre mercado apoiadas pelos EUA.
"Tudo isso tem um apelo forte para uma nova geração de novos líderes locais mobilizados e, em alguns casos, indígenas, e os EUA não entendem isso muito bem", disse Riordan Roett, da Escola de Estudos Internacionais Avançados da Universidade Johns Hopkins.
Evo Morales, ex-agricultor de coca boliviano e aspirante esquerdista à Presidência, é aliado de Castro e Chávez.
Para os governos de Buenos Aires e Brasília, os laços com Washington devem ser contrabalançados com uma base de apoio interno que tem esperança na mensagem de integração da Venezuela.
Chávez conseguiu a simpatia da ala esquerdista do Partido dos Trabalhadores (PT) e do Ministério das Relações Exteriores, onde é visto como um substituto ao idoso Castro e um contrapeso ao poder dos EUA. Essa simpatia impede o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de adotar uma linha mais dura em relação a Chávez, apesar da pressão de Washington.
"Lula não pode descartá-lo porque todo o seu partido criticaria isso", diz o consultor Mario Marconini, que já trabalhou com comércio.
"É um fator inoportuno para um governo esquerdista que quer atuar em assuntos internacionais".
Fonte:Yahoo! Notícias
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