O edital da Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC) informando que Bradesco, GE Capital, Itaú e Unibanco cumpriram todos os requisitos para disputar a aquisição do banco cearense está sendo divulgado hoje. Todos as quatro instituições pré-qualificadas em maio para comprar o Banco do Estado do Ceará (BEC) apresentaram as garantias financeiras no último dia 8 de setembro e estão habilitadas para participar do leilão na próxima quinta-feira, dia 15. O edital informando que Bradesco, GE Capital, Itaú e Unibanco cumpriram todos os requisitos para disputar o banco cearense está sendo divulgado hoje nos jornais pela Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC). Como prova de capacidade financeira - uma das obrigações da fase de pré-identificação - os quatro tiveram de depositar junto à CBLC, pelo menos, R$ 542.721.167,59. Foram aceitos depósitos em reais, cartas de fiança bancária ou de crédito, títulos públicos federais e títulos federais. Esse montante é equivalente ao preço mínimo dos 90% das ações da União, descontado o deságio de 50% da oferta das ações aos empregados. A análise de uma fonte do Banco Central é de que, quanto maior a quantidade de participantes, maior deve ser a disputa pela instituição federalizada desde 1999. Essa rivalidade pode aumentar a probabilidade de o banco ser vendido com ágio (acima do preço mínimo estabelecido). LIQUIDAÇÃO - A liquidação financeira do leilão será realizada até 14 horas do dia 22 de setembro. Na mesma data, às 15 horas, está marcada uma assembléia geral extraordinária dos acionistas do BEC para a eleição dos novos membros do Conselho de Administração e do Conselho Fiscal. A assembléia será na sede do banco, em Fortaleza. GARANTIAS - O vencedor do leilão do BEC tem de efetuar a troca das garantias por moedas de privatização no valor do lance que apresentou até as 14 horas do dia 21 de setembro. O comprador do BEC tem de dispor de, no mínimo, R$ 120,77 milhões em moeda corrente para a liquidação. Isso porque, segundo o Manual de Instruções divulgado pela CBLC, pelo menos R$ 66,5 milhões, o equivalente a 12,25% do preço mínimo, mais 10% do valor pelo qual o banco será arrematado (R$ 542,72 milhões, no mínimo) terão de ser pagos em moeda corrente nacional. O restante do lance pode ser pago em títulos federais. RISCO BRASIL - Em entrevista ao jornal Valor Econômico, o diretor de Desestatização e Liquidações do Banco Central (BC), Gustavo Vale, declarou que “nada vai mudar no preço mínimo já divulgado”. De acordo com o jornal, os dois consórcios contratados para o processo de privatização (KPMG e Delloitte Touche) levaram em conta o Risco Brasil para propor o preço mínimo do BEC. A KPMG considerou a média do risco nos últimos cinco anos, mas a Delloitte retirou a medida do risco no segundo semestre de 2002, quando ficou acima de 2,5 mil pontos. O valor adotado para 100% das ações foi o calculado pela Delloitte (R$ 576,5 milhões).
Becistas podem deflagrar greve dia 14 - Os funcionários do BEC decidiram, por unanimidade, decretar estado de greve. A resolução foi tomada em assembléia geral com cerca de 80 participantes realizada no Sindicato dos Bancários, ontem à noite. Uma nova assembléia marcada para quarta-feira, véspera do leilão do banco, pode decidir pela paralisação a partir do dia 15. O BEC tem hoje 866 funcionários na ativa. Com a privatização prestes a ser concretizada, a categoria teme que o novo controlador do banco corte vagas e feche agências. O BEC tem 70 agências, 119 postos de atendimento eletrônico e 14 postos de atendimento bancário. Em nota publicada hoje nos jornais, a diretoria do BEC assegura que a “transferência do controle acionário do BEC para a iniciativa privada em nada afetará o relacionamento comercial” com os clientes, fornecedores e parceiros, porque o leilão envolve instituições financeiras de “notória solidez”. A diretoria também lamenta a possibilidade de a categoria entrar em greve. AGRAVO - O Sindicato dos Bancários entrou ontem com agravo de instrumento no Tribunal Regional Federal (TRF) da 5ª Região para tentar reverter a decisão da Justiça Federal, que negou liminar para suspender o leilão do BEC.
Fonte: Jornal Diário do Nordeste |