Cerca de 150 carros participaram da carreata em defesa do Banco do Estado do Ceará (BEC), na manhã de ontem. A carreata, que saiu do BEC dos Peixinhos em direção à AABEC (Associação Atlética BEC), fazia parte das atividades promovidas pelo Sindicato dos Bancários do Ceará contra a privatização do Banco, que está marcada para o dia 15 deste mês. A ocasião serviu também para o lançamento da campanha salarial deste ano e para comemorar o Dia do Bancário. Bancários, sindicalistas, representantes de movimentos populares e sociais, estudantes, donas de casa e empresários estiveram presentes no evento. Segundo o secretário de ação sindical, Clécio MOrse, o objetivo da carretata era "mobilizar e oxigenar os becistas" e envolver a sociedade na luta contra a privatização. Na chegada à AABEC, uma Assembléia foi realizada para discutir ações futuras do Sindicato. Dentre as deliberações, foi confirmada a audiência pública, nesta terça-feira, na Assembléia Legislativa, com deputados estaduais e federais, além de estar presente à Comissão de Fiscalização e Controle, que apura irregularidades na instituição. Nesta audiência, solicitada pelo Sindicato fos Bancários, serão discutidas as investigações que apontam para um rombo de R$ 5,33 milhões em negociações na mesa de operações do BEC, segundo o Sindicato, além da perda de R$ 119,917 milhões, "fruto da má administração da instituição". Os bancários querem também que seja aberto um canal de negociação entre os sindicalistas e o Governo do Estado. Segundo Morse, apesar do BEC estar federalizado desde 1999,a privatização está nas mãos do governador Lúcio Alcântara, "que não abre mão dela". Ele disse que na visita do presidente Lula a Quixadá, "ele deixou bem claro ser contra a privatização" e que "se o Governo do Estado quisesse, faria como os governadores do Piauí e de Santa Catarina", que barraram o processo de privatização dos bancos estaduais. Além da audiência, o sindicato marcou para o dia 12 de setembro uma assembléia, na sede do Sindicato dos Bancários, para decidir se os funcionários do BEC irão ou não entrar em greve dia 13. PRIVATIZAÇÂO - O leilão de privatização do BEC está marcado para 15 de setembro. O preço mínimo estabelecido é de R$542,721 milhões. Irão participar da disputa as quatro instituições que já haviam sido pré-qualificadas: Itaú, Bradesco, Unibanco e Banco GE. O BEC tem rede de 70 agências e seus ativos somavam R$ 1,733 bilhão em março passado. Federalizado em 1999, dentro do programa de saneamento dos bancos estaduais, o BEC foi resgatado com um empréstimo de R$ 984 milhões do Tesouro Nacional para o Ceará. Pelo contrato original, os recursos arrecadados na privatização deveriam ser usados para abater a dívida. Os sindicalistas cearenses querem a suspensão da venda do Banco, pelo menos, até o fim de 2006. Além disso, entre as reivindicações, eles querem que nesse prazo seja avaliada a incorporação da instituição pelo Banco do Nordeste (BNB). Vários eventos já foram realizados contra a privatização do órgão. Entre eles, no dia 31 de agosto, manifestantes invadiram, durante mais de cinco horas, a agência do BEC dos Peixinhos, no Centro da cidade.
Fonte: Jornal O Estado |