Representantes de associações de produtores agrícolas da Região Metropolitana de Fortaleza se reuniram para discutir ações para o PAA e cobrar maior agilidade da Conab
Cerca de 30 representantes de organizações dos agricultores familiares dos Municípios de Pacajus, Horizonte, Chorozinho, Pindoretama, Cascavel, Barreira, Maranguape, Morada Nova, Beberibe e Caridade se reuniram, ontem pela manhã, para discutir ações para incrementar a atuação do Ceará no Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), executado pelos ministérios do Desenvolvimento Agrário e do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Os agricultores reclamam da falta de continuidade do programa e da agilidade em executar os projetos aprovados, ainda, no ano de 2010.
De acordo com o presidente da Associação dos Produtores de Leite de Pacajus, Carlos Sérgio Cardoso Cavalcante, o Governo Federal está incentivando a ampliação do programa em 2011, no entanto, alguns convênios do ano passado sequer saíram do papel. "Como ampliar o programa, se uma boa parte dos projetos não foram executados. Em torno de R$ 43 milhões ficaram de residual de 2010", afirmou ele.
Este residual, conforme explicou, foram destinados à compra de alimentos oriundos da agricultura familiar, no Ceará, pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) no Estado, mas que não foram utilizados. "Em 2011, por meio da Conab, ainda não se conseguiu aprovar projeto para aquisição de alimentos. Ainda temos este residual de 2010 que não foi utilizado", reforça Cavalcante.
Agora, os produtores temem pelo prejuízo. "Estamos fora do processo e quem ´tá´ perdendo é a nossa agricultura familiar. Se a gente tivesse uma regularidade no processo, a gente tinha aproveitado o inverno que passou", afirmou, complementando que uma mobilização foi realizada e tudo pode voltar a estaca zero. "Fizemos um trabalho incentivando as famílias a voltarem a cuidar da terra. Estamos a um ano sem trabalhar, então, sem esse retorno, pode ocorrer o que aconteceu antes que é a saída das famílias do campo".
Além disso, os agricultores se perguntam o que farão com o produto colhido no campo. "Precisamos nos alimentar todos os dias, e o agricultor que compra a semente, prepara o chão, também quando colhe, tem que vender. E a venda não tem se concretizado, infelizmente", lamenta.
Os agricultores esperam, agora, sentar com representantes da Conab e apresentar as reivindicações discutidas durante a reunião de ontem. "Pelo que vimos, o problema é mais administrativo e do conhecimento da própria realidade da agricultura familiar. Se fosse financeiro, o Governo não tinha liberado recursos para outros Estados", disse Carlos Sérgio.
Além de voltar a produzir e repassar o alimento ao PAA, os agricultores esperam, desta forma, honrar com seus compromissos financeiros adquiridos junto à bancos. "Estimulamos os produtores a prepararem o terrenos, fizeram financiamentos com o BNB para aquisição de sementes. E agora fazemos o que com a mercadoria? Quem pediu dinheiro do BNB não paga porque não tem como".
A reportagem tentou contato com a superintendência da Conab no Ceará até o fechamento desta edição, mas não obteve resposta. O PAA incentiva a formação da cadeia produtiva e oferece alimentos para populações em situação de risco.
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