A Agência Central (Peixinhos) do Banco do Estado do Ceará (BEC) em Fortaleza foi ocupada de forma pacífica e por tempo indeterminado na tarde desta terça-feira, 30. Cerca de 200 integrantes do MST e mais de 90 sindicalistas bancários estão na agência desde as 15h15.
O presidente da Fetec Nordeste, Lucius Fabiane de Vasconcelos Souza, afirma que os manifestantes só sairão da agência quando tiverem a certeza da suspensão do leilão do BEC por parte do governo do Estado e governo federal. A privatização está marcada para o próximo dia 15 de setembro.
O Sindicato dos Bancários do Ceará enviou carta às autoridades do Estado e ao governador, Lucio Ancântara, para comunicar a ocupação.
Na sexta-feira, 26, o Sindicato dos Bancários do Ceará enviou carta ao presidente da República com a proposta de incorporação do BEC ao Banco do Nordeste. “O presidente Lula disse que a suspensão da privatização só depende do governo do Estado e por isso queremos com urgência uma audiência com Lúcio Alcântara”, explica o presidente da Fetec NE.
No interior da agência o clima é tenso. Os seguranças estão à paisana, e armados, dentro e fora da agência Peixinhos.
Veja a carta enviada às autoridades abaixo. No anexo, acompanhe a carta enviada ao presidente.
Carta às autoridades
Comunicamos a Vossa Excelência que o Sindicato dos Bancários do Ceará com o apoio do Movimento dos Sem Terra (MST) ocupam a agência dos Peixinhos do Banco do Estado do Ceará (BEC) de forma pacífica. A ação foi empreendida tendo em vista a premência da privatização da instituição, marcada para o dia 15 de setembro próximo.
Conscientes de que o BEC é patrimônio do povo cearense e assim deve permanecer, Sindicato e entidades representativas da categoria não medirão esforços para que o banco permaneça público. Vamos sair às ruas em passeatas, carreatas, manifestações dizendo que somos contra a privatização do BEC e buscando engajar toda a sociedade nesse sentido.
Diversas personalidades e parlamentares cearenses já manifestaram apoio contra a privatização do BEC, com declarações em público, tais como o presidente da Bolsa de Valores Regional, Raimundo Padilha; o presidente da OAB/CE, Hélio Leitão; os deputados federais João Alfredo, Inácio Arruda; os estaduais Marcos Cals, presidente da ALC; Chico Lopes, Nelson Martins e o vereador Lula Morais, além da renomada jornalista Adísia Sá, são contra esse processo. Nesses 11 anos de luta diversas Câmaras Municipais do Ceará se posicionaram contra a privatização do BEC O povo cearense tem experiência com outras privatizações, que só trouxeram prejuízos à população, sem falar nas inúmeras demissões ocorridas em setores estratégicos como energia e telecomunicações.
O BEC não pode ter o mesmo destino de outras empresas que pertenceram ao Ceará, como a Teleceará e a Coelce, cujas privatizações provocaram demissões de trabalhadores e aumento exorbitantes das tarifas para os consumidores. Hoje, os cearenses sentem no bolso o preço de privatizações irresponsáveis.
O Sindicato dos Bancários do Ceará e os funcionários do banco defendem à incorporação ao BNB como melhor alternativa, o que fortaleceria o desenvolvimento do Ceará e também do Nordeste. Pois com a privatização todos perdem: os funcionários e a população, demissões podem acontecer, além do fechamento de agências bancárias, principalmente, no interior do Estado. Banqueiro privado não tem interesse de atender comunidades que não lhes dêem lucros exorbitantes, como venda de seguros, capitalização etc.
A 16 dias da data prevista para o leilão do BEC, estamos otimistas com a possibilidade jurídica de barrar o processo de privatização, através das ações do Ministério Público Federal e do Sindicato dos Bancários. Na última semana, o Sindicato ajuizou ação civil pública pedindo a suspensão do processo de privatização.
Defender o BEC é, portanto, uma necessidade para a economia do Ceará que, sem um banco público, ficará ainda mais fragilizada. O BEC é patrimônio nosso e devemos unir forças para mantê-lo assim, público.
Comitê de Defesa do BEC
Fonte: CNB/CUT
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