Smith já admite a possibilidade de deixar o BNB em breve, mas nega que irá assumir a Adece, devido à quarentena
O economista Roberto Smith, que por oito anos está à frente do Banco do Nordeste (BNB) disse ontem ao Diário do Nordeste, que, independentemente de quem seja o dirigente da instituição nos próximos quatro anos, a encontrará com um novo plano de negócios e um planejamento estratégico definidos. Nas propostas que serão submetidas ao Ministério da Fazenda estão projetos de captação de recursos em novas fontes externas de recursos, que vão além do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) e do Banco Nacional de Desenvolvimento Social e Econômico (BNDES). "Não podemos mais dormir no berço esplêndido do FNE. Precisamos buscar outras fontes de recursos", declarou. Ele reiterou as limitações de recursos do Fundo, diante das necessidades de investimentos e demandas de novos financiamentos requisitados na região, seja no microcrédito ou no setor de geração de energia eólica.
Demanda reprimida
Segundo ele, as demandas por recursos para novos financiamentos já somam R$ 21 bilhões, contra a disponibilidade do FNE, de apenas R$ 10,6 bilhões, o que estaria gerando uma procura reprimida de crédito de R$ 10,4 bilhões, à instituição.
"Não podemos postergar investimentos, nem deixar as pessoas (empresários e empreendedores) esperando na fila", declarou o presidente do banco.
Diante das necessidades, Smith falou que o plano de negócios prevê também maior agilidade no repasse dos recursos do FNDE, por meio da Sudene, bem como a ampliação da alavancagem do banco com captações de recursos externos, seja em instituições financeiras multilaterais, ou por meio de lançamentos de títulos no mercado. Nesse sentido, ele citou o lançamento recente de R$ 50 milhões, em Letras de Crédito Agrícola (LCA), que podem chegar a R$ 500 milhões, mas que ainda aguarda aprovação por parte do Ministério da Fazenda.
Conforme explicou, as LCAs são títulos de créditos de longo prazo, de cinco anos, que são ofertados ao mercado financeiro, como forma de captar recursos novos à instituição. "Como são de longo prazo, esses recursos são próprios para investimentos na agricultura", destacou Smith, sem esconder sua insatisfação diante do volume de crédito que é destinado pela União para o Nordeste. "O FNE vem crescendo, mas não acompanha as necessidades e o desenvolvimento do Nordeste", ponderou o economista.
Despedida?
Sem confirmar textualmente sua saída, mas também sem negá-la, Smith admitiu que "em face do surgimento de nomes (para substituí-lo), algo deve acontecer, em breve". Sem citar quem seriam os concorrentes ao cargo, ele disse que a indefinição de sua permanência à frente do banco poderia estar gerando um clima de instabilidade nos gestores internos, e que os comentários não são bons à imagem da instituição.
Dessa forma, no sentido de evitar a queda no ritmo dos trabalhos, Smith confirmou que, em reunião com os gestores, na última sexta-feira, ele admitiu ao grupo a possibilidade de deixar o banco. Informou, inclusive, que com a sua saída deverá haver mudanças na diretoria.
Ele confirmou também que sabe da posição da presidente Dilma, para quem oito anos é tempo demais para um presidente de uma instituição estatal permanecer no cargo.
Adece
Ele negou, no entanto, que ao deixar a direção do BNB irá assumir a presidência da Agência de Desenvolvimento do Ceará (Adece). "Tenho muito apreço pelo governo de Cid Gomes, mas, se eu sair vou precisar cumprir a quarentena" - período de quatro meses em que não poderá assumir funções ligadas ao setor privado -, justificou, por enquanto, o economista. |