A taxa de desemprego baixou de 10,8% em abril, para 9,4% em junho, de acordo com o IBGE. Na Grande São Paulo, segundo a Fundação Seade e Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), há três meses o desemprego não sai dos 17,5%, indicando estagnação do mercado de trabalho.
A semelhança entre as duas pesquisas está em um outro dado: tanto o IBGE quanto o Dieese mostram que, nos dois casos, o comportamento do mercado de trabalho foi influenciado pela decisão de desempregados de não procurar mais emprego. Na região metropolitana de São Paulo, 19 mil pessoas abandonaram a busca por uma vaga. Em todo o país, a mesma decisão foi tomada, em junho, por 181 mil pessoas.
Na versão mais otimista, esse contingente seria representado por familiares que foram obrigados a procurar uma ocupação para complementar a renda em casa diante do desemprego do cabeça da família. Agora, estariam deixando o mercado de trabalho, o que reduz o total de desempregados, porque pais e/ou mães conseguiram emprego depois de meses de desocupação.
SUBEMPREGO Uma análise menos entusiasmada sugere que a tendência estaria relacionada ao desânimo momentâneo daqueles desempregados, diante da precariedade ainda em vigor para o mercado de trabalho. Em junho, só foi possível conseguir colocação em ocupações por conta própria (camelôs e outros bicos) e, mesmo assim, com carga inferior a oito horas diárias (o que significa subemprego).
O total de empregados por conta própria cresceu de 3,77 milhões em maio para 3,82 milhões em junho, enquanto os empregos com carteira assinada murcharam de 14,88 milhões para 14,84 milhões.
O total de subempregados cresceu de 773 mil para 808 mil, e os empregados sem carteira passaram de 4,43 milhões para 4,45 milhões. Na comparação com junho do ano passado, foram contratadas 647 mil pessoas a mais, 87% das quais com carteira assinada – um dado sem dúvida positivo. Mas praticamente 55% desse contingente conseguiu colocação como empregados domésticos e outros serviços do tipo, onde os salários são mais baixos.
RENDA Enquanto o emprego não promete grandes coisas, a renda média das pessoas ocupadas avança aos trancos e barrancos, quando avança. Em junho, na comparação com maio, segundo o IBGE, houve um aumento de 1,5%, para R$ 945,80, nas seis regiões metropolitanas pesquisadas, refletindo basicamente os efeitos da correção do salário-mínimo e a menor variação da inflação (como todos os demais preços na economia, na média, subiram menos do que o salário, houve um ganho relativo para o trabalhador). Mas, na comparação com junho de 2004 e de 2003 aquele valor ainda expressa quedas, pela ordem, de 0,3% e 0,7%. Na Grande São Paulo, conforme o Dieese, a renda média do trabalhador sofreu baixa de 0,4%, de maio para junho – o que significa uma queda acumulada de praticamente 4% desde outubro.
Fonte: Jornal Brasil de Fato |