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Notícias

  02/08/2005 

Dnocs e gestão hídrica

O Dnocs tem uma importância fundamental na realização de uma gestão de recursos hídricos baseada em critérios científicos e no interesse público, dando uma grande contribuição à Agência Nacional de Águas (ANA), no que tange à área específica do semi-árido
 
O Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs) renova sua face, ao por todo o seu cabedal de conhecimentos sobre o semi-árido nordestino em favor de uma maior ênfase nas ações voltadas para a gestão dos recursos hídricos regionais. A edição especial da revista ''Conviver Nordeste Semi-árido'', publicada pelo órgão com o apoio do Banco do Nordeste do Brasil (BNB), é uma evidência dessa posição, ao reunir passado e presente numa provida compilação do que se produziu exponencialmente sobre a seca, dando um referencial clarividente sobre o que propõe a atual administração, sob o comando de Eudoro Santana - cuja carreira política sempre teve o Nordeste como foco.
 
A gestão dos recursos hídricos coloca-se como questão de fundamental importância neste novo milênio, dada à compreensão de que a água é um recurso natural cada vez mais escasso no planeta, com o agravante de ser o fundamento da vida na face da Terra. Cuidar desse bem é uma preocupação inarredável de todas as sociedades interessadas no futuro das gerações vindouras.
 
O Brasil possui diversidade de recursos hídricos que vão da abundância à escassez. Por conta disso, as ações de governo nessa área também devem ser diferenciadas, reivindicando-se para o semi-árido nordestino uma política específica nessa área. Para levá-la adiante, não há órgão mais capacitado do que o Dnocs, visto reunir a mais vasta soma de conhecimentos sobre o assunto, na região.
 
Para se ter uma idéia da gravidade da situação nordestina, basta dizer que o índice médio ideal de distribuição dos recursos hídricos, segundo critérios estabelecidos pela ONU, é de 1.500mß/habitante/ano, sendo que o Nordeste tem a metade disso (cerca de 750mß/habitante/ano, e há uma estimativa de que em 2020, a região terá apenas 1/3 da média ideal, o que significa cerca de 500mß/habitante/ano. É preciso acentuar que essa média leva em conta não apenas o consumo humano, mas também o animal, a agricultura, a indústria e o lazer.
 
A conclusão que se chega é lógica: somente com a gestão científica desses recursos hídricos será possível fazê-los atender às demandas postas pelos mais diversos segmentos da sociedade. Sua gestão implica em educação para o uso desse bem escasso, a redução do desperdício, o planejamento e sua distribuição racional (irrigação, transposição de bacias, armazenamento). Significa também ter um profundo conhecimento sobre os aspectos climáticos, fisiográficos, geológicos, ecológicos, etc., para fazer a sinergia entre águas subterrâneas e águas de superfície. Um exemplo da complexidade desse tipo de exigência pode ser visto no simples armazenamento de água num grande açude. O Castanhão, por exemplo, tem capacidade para armazenar 4 bilhões de mß de água, mas só pode usar 1 bilhão de mß, visto que é preciso deixar reservas para a possibilidade de uma seca, além do desfalque causado pela evaporação. Somente com o monitoramento proporcionado por uma gestão científica será possível fazer maior proveito desses recursos, liberando mais água para os agricultores, por exemplo, sem receio de colapso por conta de um imprevisto.
 
É essencial que a gestão seja pública e compartilhada. Por ser um bem estratégico tem de ficar nas mãos do Estado, no entanto, sua gestão deve ser democrática, descentralizada, compartilhada com a sociedade organizada para definir os critérios de distribuição. O Dnocs tem uma importância fundamental na realização de uma gestão de recursos hídricos baseada em critérios científicos e no interesse público, dando uma grande contribuição à Agência Nacional de Águas (ANA), no que tange à área específica do semi-árido. Por conta disso, é imprescindível que Brasília tenha essa percepção e faça uso desse instrumento, que foi essencial para que o Nordeste alcançasse os mínimos requisitos de viabilidade, em condições climáticas tão adversas. Esse trabalho poderá ter uma resposta ainda mais ampla com o Dnocs transformado em órgão estratégico para a consecução de uma gestão de recursos hídricos eficaz e democrática, na Região.

Fonte: Jornal O Povo

Última atualização: 02/08/2005 às 09:29:00
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