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Notícias |
20/07/2005 |
Avanços no NE não eliminaram pobreza |
“O Nordeste é muito heterogêneo, para se dar conta com um único projeto. Qualquer infra-estrutura a ser implementada, hoje, tem que se pensar no mapa da América do Sul”, defende a economista Tânia Bacelar.
Um olhar para o “lado de trás”, para os parceiros econômicos da América Latina, e não apenas para os do leste europeu, mais atenção para a infra-estrutura da região, que permita interligá-la — através da Ferrovia Transnordestina — aos vizinhos do Mercosul, mais recursos e tratamento diferenciado para as questões sociais são alguns dos caminhos apontados pela economista pernambucana Tânia Bacelar para reduzir o hiato econômico, social e tecnológico, que separa os estados da região aos do Sul e do Sudeste. Expositora do painel “O Nordeste e a Política de Desenvolvimento Econômico”, realizado no final da tarde de ontem, no encerramento do Fórum BNB de Desenvolvimento, em Fortaleza, Tânia Bacelar disse que os avanços assegurados pela Região Nordeste nos últimos 50 anos, ainda não foram suficientes para eliminar os bolsões de pobreza que dominam a região. “As ações do Pronaf e de financiamentos a economia popular e ao micro empreendedorismo, citados aqui, são importantes para a inversão dessa realidade”, apontou Tânia Bacelar. Nesse contexto, ela destacou a importância das intervenções da extinta Sudene e do Banco do Nordeste, nos últimos anos na região. Apesar dos avanços, alertou a economista, “a renda média do Nordeste ainda representa a metade da renda média do País”. Segundo ela, nos últimos 10 anos, houve avanços na concepção das políticas públicas para a região, mas os recursos destinados ainda são insuficientes para desenvolvê-la. Para ela, as soluções das questões sociais e econômicas passam necessariamente por adoção de políticas integradas e diferenciadas, que vão desde a implantação do projeto de construção de cisternas no semi-árido, o extensionismo tecnológico, a universalização do acesso a bens e serviços, como água e energia elétrica, até estudos sobre o traçado da Transnordestina e sobre a transposição das águas do Rio São Francisco. “O Nordeste é muito heterogêneo, para se dar conta com um único projeto. Qualquer infra-estrutura a ser implementada hoje tem que se pensar no mapa da América do Sul”, defende a economista. Participante do mesmo Painel, o diretor de Gestão de Desenvolvimento do Banco do Nordeste, Eugênio Pontes, confirma que faltam recursos financeiros ao Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FNE) para atender a demanda de financimentos apresentadas ao banco. Segundo ele, para os R$ 4 bilhões disponíveis no FNE, já há demanda de R$ 6,4 bilhões. Conforme disse, somente através do programa de microcrédito Crediamigo, já foram contratados no primeiro semestre deste ano, R$ 251,9 milhões, valor 25,2% superior aos R$ 201,2 milhões, emprestados no primeiro semestre de 2004. Ele mostrou ainda que a demanda por recursos prospectada pelo banco, nos diversos setores da economia, chega a R$ 16,8 bilhões. “Ao contrário do que apregoam, não está sobrando dinheiro do FNE, está faltando recursos para investirmos”, afirmou o diretor. Ao final do Fórum foram premiados microempreendedores que se destacaram em suas atividades, a partir dos recursos captados no Crediamigo. Fonte: Jornal Diário do Nordeste |
| Última atualização: 20/07/2005 às 11:59:00 |
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