O alto custo dos financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) está deixando de fora as regiões mais carentes do País. De 2001 até o ano passado, o Nordeste viu sua participação no total de desembolsos da instituição cair quase pela metade: de 12,9% para 6,8%, ou queda de 45,7% segundo cálculo feito pelo Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase).
Diretor de Planejamento do BNDES, Antonio Barros de Castro admite que é um “problema grave” a queda sofrida pelo Nordeste. Ele lembra que há outro agravante: o fato de o Estado Bahia concentrar 60% dos financiamentos concedidos pelo banco nos últimos anos para a região, o que mostra que a instituição é competitiva apenas em projetos de grande porte.
O executivo diz que um fator que contribuiu para isso: a criação, em 1988, do Fundo Constitucional de Desenvolvimento do Nordeste (FNE), que empresta para as micro e pequenas empresas do semi-árido nordestino à taxa de 7,4% ao ano. “Nosso dinheiro é muitíssimo mais caro. Estamos fora desse mercado, assim como o Banco do Brasil e o Bradesco”, reconhece. Para ele, o crescimento dos desembolsos do BNDES para o Centro-Oeste também ajudou a comprimir a participação da Região Nordeste. “Daqui para a frente, estão surgindo grandes projetos fora da Bahia, como a Transnordestina e a transposição de águas do Rio São Francisco. O jogo é capaz de mudar um pouco”, afirma o diretor.
No dia 5, cerca de 40 Organizações Não Governamentais (ONGs) encontram-se com a diretoria do BNDES para cobrar uma ação mais pró-ativa da instituição. Na pauta do encontro, representantes da sociedade civil vão discutir a necessidade de a instituição ampliar os financiamentos para regiões mais carentes do País. Chamou a atenção das ONGs o levantamento feito pelo Ibase, que levou em conta os desembolsos do BNDES realizados em dois anos da gestão Fernando Henrique Cardoso e outros dois anos de mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Não é saudável termos os desembolsos do BNDES concentrados em apenas uma região. Se olharmos o banco como instrumento do desenvolvimento social, era de se esperar que ele tivesse mais sensibilidade, uma atitude mais pró-ativa”, considera o pesquisador do Ibase, Carlos Tautz.
Fonte: Diário do Nordeste
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