A caatinga (mata branca, em língua indígena) abrange uma área de 734.478 km2 e é o único bioma totalmente brasileiro, ou seja, grande parte do patrimônio biológico da imensa área não existe em outro lugar do mundo, a não ser no Nordeste do Brasil
Um bom exemplo de parceria entre a sociedade civil e o Governo federal começa a dar resultados. É que as informações do banco de dados do projeto Cenários para o Bioma Caatinga estarão à disposição da Associação de Plantas do Nordeste (APNE), entidade que desenvolve uma série de projetos na área ambiental, financiados por vários países. Trata-se do primeiro trabalho conjunto firmado entre a Secretaria de Desenvolvimento Sustentável do Ministério do Meio Ambiente e uma organização não-governamental.
Por sua vez, o banco de dados é a primeira iniciativa surgida do Zoneamento Ecológico-Econômico da Região Nordeste, projeto lançado em 2004, no Recife (PE), pela Secretaria de Desenvolvimento Sustentável em parceria com o Conselho da Reserva da Biosfera da Caatinga, secretarias estaduais de Meio Ambiente do Nordeste e entidades que fazem parte do Consórcio ZEE Brasil. Abrange todo um cenário ecológico, social e econômico. Características regionais e potencialidades são identificadas para o uso dos seus recursos naturais.
Os dados do banco poderão ser utilizados pelos zoneamentos regionais, estaduais e municipais da região. A implantação e a capacitação dos gestores são levadas a efeito nos órgãos ambientais dos estados do Piauí, Ceará, Pernambuco, Sergipe, Alagoas, Bahia e em órgãos como a Codevasf e Chesf.
Diferentemente da Amazônia, da Mata Atlântica e do cerrado, a caatinga não recebe, habitualmente, muita atenção da mídia, não obstante ser o único bioma (conjunto de seres vivos de uma região) exclusivamente brasileiro. Na era da Informática, no entanto, já desponta uma nova realidade. O grande banco público de dados reúne todo o conhecimento científico e socioeconômico disponível sobre o bioma, que cobre 70% da área do Nordeste.
A meta do banco é servir como instrumento de políticas públicas para o desenvolvimento sustentável. Antes de qualquer coisa, foi preciso armazenar conhecimento em torno do assunto. Havia muita informação, mas tudo muito desagregado. O trabalho com o bioma, e não com a região, é inédito no País. A caatinga sempre foi subestimada pelos órgãos públicos. Chegou o momento, portanto, de chamar a atenção para a área com informações úteis. Não apenas pela beleza ou pobreza.
O Banco de Dados para o Bioma Caatinga tem 40 gigabytes. Dois grupos iniciais foram treinados para usar o serviço, que combina uma variedade de textos, mapas e tabelas com dados socioeconômicos, culturais, geográficos e ambientais - desde um cadastro de poços artesianos até um catálogo de espécies vegetais e animais. São 148 mamíferos, das quais dez só existem na caatinga.
A caatinga (mata branca, em língua indígena) abrange uma área de 734.478 km2 e é o único bioma exclusivamente brasileiro, ou seja, grande parte do patrimônio biológico da imensa área não existe em outro lugar do mundo, a não ser no Nordeste do Brasil.
A caatinga ocupa cerca de 7% do território brasileiro, estendendo-se pelos estados do Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Sergipe, Alagoas, Bahia e chegando até o Norte de Minas Gerais.
A vegetação é bastante diversificada, reunindo, além das caatingas, outros ambientes associados. São identificados 12 tipos diferentes de caatingas, que chamam se destacam pelos exemplos maravilhosos de adaptações aos hábitats semi-áridos. Essa constatação deve explicar, pelo menos em termos parciais, a grande diversidade de espécies vegetais, muitas das quais endêmicas (peculiares à região). Estima-se que pelo menos 932 espécies já foram catalogadas na região, sendo 380 endêmicas.
Fonte: Jornal O Povo |