A Executiva Nacional dos Bancários aprovou na última terça-feira uma moção de repúdio contra o Hotel Bay Park de Brasília. No Hotel ficou hospedada parte da delegação que participou da 1ª Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial.
Os hóspedes sofreram agressões raciais em diversos momentos entre a quinta-feira (30 de junho) e domingo (3 de julho). Nos quartos, à noite funcionários do Hotel entravam sem bater e levavam os rádios relógios, conforme a trabalhadora em educação e secretária de políticas sociais da CUT RN, Janeyare Almeida de Souto, que estava hospeada em um dos quartos invadidos. “Nunca vi uma coisa dessas na minha vida”, disse com espanto.
Ela contou que estava dormindo quando um funcionário chegou para levar o rádio relógio e disse que estava cumprindo ordens. As investidas racistas não pararam por aí. “Se o hóspede fosse da conferência, o café da manhã servido era diferenciado dos demais hóspedes, era de pior qualidade”, descreveu.
De cor branca, ela diz que não tinha dificuldade em circular nos espaços, ao contrário dos participantes da Conferência integrantes de grupos negros, indígenas, judeus e palestinos.
Racismo é crime no Brasil e em função disso os hóspedes que sofreram a agressão e a delegação procuraram a 2ª D.P em Brasília. “O delegado não fez o B.O, por considerar que não haviam motivos suficientes”, afirma Janeyare. Em função disso, foi buscada a ajuda da Ouvidoria do Seppir, que interviu e conseguiu registrar a queixa crime de racismo.
“O Movimento Negro orienta que o racismo seja denunciado”, declarou a diretora da CUT/RN. Conforme Janeyare Almeida na sexta-feira acontece na CUT/RN uma reunião com várias entidades da sociedade civil. “As denúncias devem ser feitas em todos os estados”, incentiva. No Rio Grande do Norte, já começou a ser organizada uma ação coletiva contra o Hotel Bay Park.
Fonte: CNB/CUT
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