Em 27 meses de governo petista, mais de nove em cada 10 empregos novos criados foram ocupados por trabalhadores com rendimento mensal de até 1,5 salário mínimo (R$ 390, até abril). Num estratagema adotado pelas empresas para reduzir custos trabalhistas, frente a um pelotão de milhões de desempregados, foram demitidos quase 700 mil trabalhadores com salários superiores a três mínimos entre janeiro de 2003 e março deste ano, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
Ao todo, foram abertas 2,46 milhões de vagas novas, resultado da contratação de 24,14 milhões de trabalhadores/assalariados, e da demissão de 21,68 milhões naqueles 27 meses. Pouco mais de 98% do saldo registrado no período (contratações menos demissões), algo como 2,422 milhões de pessoas, correspondiam a empregos de até 1,5 salário-mínimo.
A tendência se manteve no primeiro trimestre de 2005, quando 69,5% das novas vagas favoreceram trabalhadores com salários de até 1,5 mínimo. Houve cortes indiscriminados para vagas com rendimentos acima de três salários mínimos (mais de R$ 780 por mês, em valores da época, ou mais de R$ 900, tomandose o valor atual do salário-mínimo).
Rebaixamento
Os números mostram que o crescimento do emprego, no trimestre, deu-se às custas do sacrifício daqueles que ganhavam ligeiramente acima da média nacional. Mais claramente, as empresas cortaram vagas ocupadas por trabalhadores com salários mais elevados para recontratar empregados com rendimentos menores, o que vem determinando um avanço mais lento para a renda das pessoas ocupadas no setor formal da economia (com carteira assinada) e, portanto, influenciando negativamente o ritmo da atividade econômica.
"As empresas terminam demitindo pessoas com salários entre R$ 2 mil e R$ 3 mil mensais para contratar pessoas com salários em torno de R$ 350 a R$ 450", declarou o economista e professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Márcio Pochmann, ouvido pela repórter Keite Camacho, da Agência Brasil. Como resultado, apontou Pochmann, a renda não consegue acompanhar o ritmo de avanço do Produto Interno Bruto (PIB), que mede o total de riquezas produzidas pelo país.
Fonte: Brasil de Fato (clique aqui para ver a matéria completa) |