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Notícias

  29/06/2005 

Bancários devem comprar ações do BEC

Cerca de 70% dos funcionários ativos e aposentados do BEC estão inscritos em um fundo de investimento constituído para adquirir 10% das ações a que têm direito com a privatização do banco, se ela de fato ocorrer. O BC espera a avaliação do BEC, pelas consultorias Deloitte e KPMG para submeter ao CMN a proposta de preço mínimo do banco
 
Caso a venda do Banco do Estado do Ceará (BEC) seja concretizada - o leilão está previsto para ocorrer entre agosto e setembro - os funcionários ativos e aposentados do banco terão direito a comprar 10% das ações com deságio de 50%. O novo controlador é obrigado a recomprar essas ações por 80% do valor alcançado no leilão. Para prevenir-se contra eventuais prejuízos, a Associação dos Funcionários do BEC (Afbec) e Associação dos Funcionários Aposentados do BEC (Afabec) contrataram o banco português-brasileiro Banif Primus como gestor e financiador do Clube de Investimento Unibec que já tem 70% dos funcionários e aposentados do BEC filiados.
 
Segundo o presidente da Afbec, Erotildes Teixeira, o clube de investimento é uma determinação da legislação e por isso em 2002 as associações representativas dos funcionários abriram concorrência para escolher uma instituição que iria financiar a compra das ações e gerir o clube de investimentos. Ele explica que foi firmado contrato que está vigindo, já que, em 2002, o leilão foi adiado. ''As entidades não têm interesse financeiro mas apenas de resguardar os funcionários para que aproveitadores de ocasião não ganhem com a situação nem eles venham a ter prejuízo'', comenta, adiantando que o lucro, estimado em 30%, será dividido entre os participantes do Unibec.
 
Segundo ele, na hora em que sair o edital de venda do BEC serão reabertas as inscrições no clube para os que ainda não se inscreveram. São cerca de 860 funcionários ativos e 500 aposentados. Desse total, 952 já estão inscritos. O presidente da Afbec informa que existe um outro fundo de investimento formado por gerentes, mas a maioria está no Clube Único dos Funcionários do BEC (Unibec) patrocinado pela Afbec e Afabec.
 
Apesar de os preparadas para a venda, as entidades continuam lutando para evitar a privatização do banco. ''Só quem pode reverter o caso é o Lula'', afirma Teixeira, considerando que a estratégia agora é conseguir uma audiência com o presidente para pedir que o banco não seja vendido. Para conseguir o encontro, as entidades estão recorrendo ao presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Luiz Marinho, à classe política e empresarial local, através da Assembléia Legislativa e Associação Comercial do Ceará, e à comissão de acompanhamento da privatização que será constituída na Câmara Federal.
 
De acordo com o Banco Central, o próximo passo do processo de venda do BEC é encaminhar proposta (baseada na avaliação feita pela Deloitte e KPMG) de preço mínimo ao Conselho Monetário Nacional (CMN). Antes, as avaliações das consultorias serão enviadas ao Tribunal de Contas da União (TCU) para que inicie análise própria que, normalmente, é divulgada dois ou três dias antes do leilão.
Última atualização: 29/06/2005 às 09:14:00
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