Nada mais adequado do que associar aos Correios um esquema de corrupção para atingir a credibilidade do governo Lula e das empresas estatais. Para os brasileiros, os Correios são uma instituição mais confiável do que a família (que vem em segundo lugar), o Corpo de Bombeiros (em terceiro) e a Igreja, de acordo com pesquisa feita pela Universidade de São Paulo, em 2004. Nada mais intrigante do que o Supremo Tribunal Federal (STF) ter marcado para o dia 15 de junho um julgamento que vai decidir se o monopólio dos Correios na distribuição de correspondências vai ser quebrado ou não e que, justamente nos Correios, fosse pedida a instalação de uma CPI.
Para o secretário de Administração e Finanças da Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios (Fentect), Roberto Prado, não se trata de coincidência. "Nós achamos que os fatos têm plena ligação. Achamos que é uma investida, principalmente da iniciativa privada, daqueles que defendem a quebra do monopólio postal, para que a imagem dos Correios seja jogada para baixo perante a opinião pública e, assim, facilitar o julgamento." Pelos cálculos de Prado, se a iniciativa privada passar a atuar no setor, cerca de 70% dos municípios brasileiros deixarão de ter acesso ao serviço postal porque as empresas privadas vão atender basicamente as capitais e as regiões metropolitanas. Nada mais suspeito do que um ex-funcionário de Fernando Collor de Mello (no Ministério de Educação e Cultura), advogado com registro cassado na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) do Paraná, ser o responsável por oferecer R$ 3.000,00 a um funcionário dos Correios para gravar tudo.
Mais: que atrelassem justo o deputado federal Roberto Jefferson (PTB-RJ), presidente nacional da sigla e um dos líderes "da tropa de choque" de defesa "collorida", como o chefe do esquema de corrupção num flagrante que, segundo Jefferson, foi armado por agentes da Agência Brasileira de Informação (Abin).
PRIVATARIA - Se ainda restam dúvidas, nada mais esclarecedor do que publicou a revista Exame: "O escândalo de corrupção nos Correios mexeu com o cenário político, provocou a abertura de uma CPI, mas ainda não sensibilizou o governo para uma questão fundamental: a necessidade de se retomar o processo de privatizações no país". Escândalo - no valor de R$ 3.000,00 - que a Exame (da mesma Editora Abril, que publica o semanário Veja, também chegado a denúncias sem prova) chama de "caso grotesco", exemplo da "demonstração mais transparente da falência do gigantismo estatal brasileiro".
Nada mais direto de como a revista continua seu raciocínio. "A lista de ativos potencialmente privatizáveis da União é, de fato, extensa. Vai de empresas do setor elétrico (como a Eletronorte, também envolvida na crise política atual) aos bancos federais, de aeroportos a estradas, da Petrobrás a empresas de seguro, como o Instituto Resseguros Brasil (IRB) - outra estatal envolvida em denúncias de corrupção."
A mensagem é clara: a estratégia mais eficaz para diminuir a corrupção pública é a privatização, como prega na mídia, atualmente, Luiz Carlos Mendonça de Barros, ex-ministro das Comunicações de FHC e ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que diz que se "estivesse no próximo governo, trabalharia forte na privatização da Petrobrás". Não por acaso, empresa na qual já estão "descobrindo" elos de corrupção entre funcionários indicados por José Dirceu. Mais uma estranha coincidência...
Fonte: Brasil de fato
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