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Notícias

  17/09/2010 

O dinheiro ignora a política

Por Luciano Martins Costa, do Observatório da Imprensa *
 
O noticiário de economia e negócios revela muito mais sobre o Brasil contemporâneo do que faz crer a confusão de declarações e vazamentos que preenche as páginas dos jornais e revistas em torno da atual campanha eleitoral.

O alinhamento da imprensa, de forma majoritária, com um grupo partidário específico, é mais evidente e menos disfarçado nas eleições deste ano do que foi nas eleições presidenciais de 2002 e 2006.

O leitor, ouvinte e telespectador precisará de muito discernimento para entender o Brasil que se manifesta sob a algaravia da campanha.

Um bom resumo do que acontece está publicado na quarta-feira (15/9), na coluna do jornalista Vinicius Torres Freire, da Folha de S.Paulo: "Dinheiro ignora tumulto eleitoral", diz o título do artigo.

Segundo o jornalista, os investidores estrangeiros continuam desembarcando festivamente na economia brasileira e o capital não dá a mínima para a barafunda eleitoral. Mas, espere aí: não era este um governo de esquerda, e aqueles que são a oposição não seriam os defensores do capitalismo?

 

Voz tímida

Essa aparente contradição, na qual uma oposição supostamente alinhada com o chamado neoliberalismo ataca um governo chamado de populista de esquerda e não consegue ser ouvida pelo mercado, tem um motivo muito claro: a mobilidade social produzida pela combinação da estabilidade com as políticas de inclusão estimula a economia de baixo para cima, criando um ambiente positivo em toda a pirâmide social.

Aliás, os analistas já não falam em pirâmide social, pois até essa figura geométrica foi subvertida no Brasil. A configuração das classes de renda tem agora uma base muito menor, com a redução da pobreza, e uma geometria mais para o formato de um balão, um octaedro estendido, com o centro do espectro social inflado pela nova classe média.

Nesse cenário em que a sensação de bem-estar e de otimismo se consolida em bases reais, percebidas pelos cidadãos, o discurso oposicionista tradicional se torna inócuo. Não adianta falar em déficit externo e juros da dívida se esses detalhes se perdem no cenário geral de crescimento.

No meio da barafunda de campanha, apenas uma vozinha, tímida e trêmula, poderia lançar um argumento relevante: é a voz da candidata Marina Silva, a questionar a sustentabilidade desse crescimento. Mas nem a chamada oposição, nem sua aliada, a grande imprensa, parecem entender do que se trata.

Fonte: Envolverde/Observatório da Imprensa
Link: http://www.envolverde.com.br/materia.php?cod=80890&edt=1
Última atualização: 17/09/2010 às 08:20:00
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