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Notícias

  15/09/2010 

Quanto vale a vida?

Por Alda Valéria*

Essa pergunta é feita pela trupe de atores nas agências bancárias para a campanha salarial deste ano, enfocando temas como a lei dos 15 minutos, o lucro exorbitante do sistema financeiro no semestre (R$ 21 bi), automação bancária e principalmente o assédio moral. Todas essas situações reunidas denunciam a postura inequívoca do capital (representado pelos banqueiros) e demonstram que a vida vale muito pouco.

“E a vida, o que é, diga lá meu irmão?” Diria simplesmente: é a relação que nós construímos no nosso dia-a-dia, seja em casa, com a família, na rua com os amigos, ou no trabalho, com os colegas, com a função desempenhada, com a valorização e satisfação das tarefas desenvolvidas, o diálogo com a chefia e os patrões.  E todas elas se relacionam, estar bem ou mal em uma delas, afeta as demais.

E muito pouco, ou quase nada, vale a vida no setor bancário, por exemplo, o ambiente é hostil e mais se parece com uma fábrica de doentes. A valorização do trabalhador é zero, seja em termos salariais ou de reconhecimento do seu potencial criativo. A automação bancária não trouxe benefícios para a categoria, pelo contrário, acarretou adoecimento, demissões e sobrecarga de trabalho para quem permaneceu no setor.

Esvaziado da sua tarefa de prestar serviço e atender a clientela, o bancário foi transformado em um mero vendedor. E todos estão presos aos grilhões desta engrenagem, seja o funcionário do balcão ou o gerente, todos têm metas a serem cumpridas, quase “imbatíveis”, e cada vez maiores. A concentração do setor (de cerca de 20 agências, hoje há apenas 6) ao invés de frear a concorrência, acelerou ainda mais esta engrenagem, e as metas estão na (des) ordem do dia. Junto com elas, o mais nefasto instrumento de violência contra o trabalhador: o assédio moral. Os bancários são apontados, humilhados, colocados numa situação de constrangimento repetida e prolongadas vezes, aquele que não bate as metas é desprezado, achincalhado, rebaixado e induzido a desistir de continuar no banco, atingindo a sua auto-estima, adoecendo.

Não podemos deixar que essa prática seja vista como algo normal, que faz parte das relações de trabalho, isso não é verdade, o assédio moral deve ser denunciado, é crime, e toda prova que o trabalhador conseguir reunir será necessária para estabelecer o nexo causal entre os transtornos à sua saúde e suas atividades.

Campanhas devem ser desenvolvidas para que as pessoas não se sintam obrigadas a adquirir produtos quando vão abrir uma conta ou utilizar de algum serviço bancário, e o trabalhador tem que ser reconhecido pelo serviço que presta, não pelo produto que vende. As metas podem existir, mas não podem servir como o “chicote” do assédio moral. Nossa categoria e os clientes vêm sofrendo com mais esta violência dos banqueiros, se não estamos bem no trabalho, nossa vida social e afetiva também é abalada.

Por uma mudança de paradigmas, pela valorização dos bancários e clientes, pelo fim do Assédio Moral, por um ambiente trabalho sadio e pelo respeito aos clientes! A vida é o bem mais precioso que temos, lutemos por ela!

(*) Alda Valéria é diretora de Cultura do Sindicato dos Bancários da Bahia.

Fonte: Sindicato dos Bancários da Bahia
Link: http://www.bancariosbahia.org.br/index.php?menu=artigo&COD_ARTIGO=119
Última atualização: 15/09/2010 às 08:27:00
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