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Entre 1983 e 2004, as despesas com juros de todo o setor público foram à estratosfera: R$ 1,33 trilhão. Mantido o ritmo atual, o governo federal deverá "devolver" aos donos do dinheiro no país praticamente metade de todos os recursos que pretende destinar aos programas sociais em 2005. Os números estão nos relatórios oficiais do Banco Central (BC) e do Ministério da Fazenda e mostram por que, entre outras razões, a concentração da renda permanece inabalável no Brasil, a despeito dos avanços que o governo afirma ter alcançado na área social.
A política de elevação dos juros, reafirmada mês a mês pela diretoria do BC desde setembro do ano passado, em sua versão mais recente, não só impede a economia de crescer, ao afugentar investimentos públicos e privados e gerar desemprego e achatamento dos salários, mas tem criado, ao longo dos anos, obstáculos permanentes à justa redistribuição dos ganhos e riquezas produzidos no país.
Aos números. Projetadas para os próximos doze meses, as despesas com os juros da dívida da União, em vias de ultrapassar os R$ 970 bilhões, atingiram, no primeiro trimestre, o correspondente a 8,4% do Produto Interno Bruto (PIB).
O valor do PIB, como se sabe, reflete a soma de todas as riquezas produzidas, a cada ano, por pessoas físicas, trabalhadores, assalariados e autônomos, bancos e empresas em geral, incluindo o setor público e suas estatais. Pelo que mostram os dados do BC, apenas a conta dos juros da dívida da União tende a consumir mais de R$ 160 bilhões em 2005.
Fonte: Brasil de Fato – edição n° 166
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