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Notícias

  06/08/2010 

Sindicalistas no Governo. Por que não?

A bateria direitista dos meios de comunicação atira para todos os lados como forma de emplacar na presidência sua candidatura predileta. Eles até polemizam entre si sobre qual seria a melhor forma de enfrentar a candidata petista e nunca chegam a conclusão alguma. Não há caminho fácil para encaixar um discurso contra um governo sabidamente popular, que em oito anos promoveu mudanças avançadas que beneficiaram e beneficiam milhões de pessoas antes vistas apenas como simples dados estatísticos pelos neoliberais demotucanos.

Digo sempre considerar equivocado dizer que o PSDB não tem programa – eles tem sim, e consiste em governar para 30% da população, deixando as dezenas de milhões restantes como cidadãos de segunda categoria. Se alguém duvida, basta lembrar a política de terra-arrasada nos oito anos de entreguismo, corrupção, desmonte do estado, perseguição aos movimentos sociais no período FHC/Serra.

Na política de metralhadora giratória que busca atingir vários alvos, um deles é um surrado discurso de que o PT teria aparelhado o estado com os sindicalistas.  A propósito, Serra repete com freqüência que em seu eventual governo todas as nomeações serão feitas por ele próprio, sem interferências partidárias, sabendo que está a fazer demagogia barata, pois o próprio candidato avice de sua chapa  indicado por ele foi rifado por imposição do DEM que encampou um de suas fileiras.

O governo Lula é resultante de uma longa trajetória de luta dos setores organizados da sociedade que resistiram à ditadura militar e à ditadura civil de Fernando Henrique Cardoso (período do pensamento único quando quem divergia era alvo de desmoralização pelo brutal aparato das forças neoliberais). Nesse referido processo de resistência o setor de destaque, da linha de frente, foi o movimento sindical, que produziu milhares de quadros com suas greves, manifestações, ocupações, belas jornadas de cunho político etc,

Nada estranho, portanto, que com a ascensão do novo governo, de novas forças políticas, que nunca antes tiveram essa oportunidade em mais 500 anos de Brasil, que  líderes desse segmento importantíssimo da rica sociedade civil brasileira  fossem guinados à condição de ocupantes de função no estado. Porque não?  O próprio presidente da República é oriundo do movimento sindical metalúrgico e seu partido foi fundado com uma presença expressiva, majoritária, de lideranças vindas das lutas de diversas categorias pelo país afora. Centenas ou milhares de sindicalistas hoje são governadores, prefeitos, deputados, ministros, secretários etc. Que mal há nisso? A estrutura do estado só pode ser preenchida por empresários, banqueiros e latifundiários, como na época de FHC/SERRA?

Ter a presença de trabalhadores nos espaços acima citados é uma vitória do povo brasileiro, uma conquista de nossa frágil democracia. A crítica que se faz a “república sindicalista” tem viés preconceituoso, como se representantes da classe que produz não tivessem capacidade - privilégio que seria para uns poucos doutores, acadêmicos e endinheirados.  Cabe lembrar que esse discurso da “república sindical” fora usado pelos mesmos meios de comunicação e pelas mesmas forças políticas que hoje o repetem para respaldar o golpe militar de 1964, e que,  portanto, tem viés golpista também.

Circula um e-mail na internet com o nome de dezenas de sindicalistas com seus cargos, salários antigos e salários atuais, como se isso fosse um escândalo, um assalto aos cofres públicos – uma mensagem de cunho direitista. Ora, os cargos e os salários citados já existiam antes do governo Lula e nada mais natural que novos quadros da confiança do presidente fossem empossados.

O fato de ser natural a presença de sindicalistas em governos não significa, porém, que seus sindicatos devam perder a independência de classe e/ou amorteçam as lutas, prática que de fato por vezes acontece e que deve ter complacência de quem luta por um sindicalismo classista, autônomo, de mobilizações e de combate firme a qualquer forma de exploração.

(*)  Diretor da AFBNB e do Sindicato dos Bancários da Bahia.  

 
Última atualização: 06/08/2010 às 10:27:00
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