Por Ney Sá*
O povo brasileiro avançou com a eleição de um operário e líder sindical para presidir o Brasil. Agora, a eleição de uma mulher pode representar outra quebra de paradigma.
As mudanças políticas, econômicas e sociais realizadas ao longo dos últimos oito anos são inegáveis. Mesmo aqueles que criticaram a eleição de Lula reviram suas posições. Hoje praticamente há unanimidade quanto ao bom desempenho de sua administração.
Desafio semelhante ao da eleição de Lula se apresenta agora com a candidatura da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Uma mulher na Presidência da República terá repercussão na história do País, quebrando a tradição da predominância dos homens no comando, rompendo definitivamente com o predomínio histórico das oligarquias, das classes dominantes, e de preconceitos arraigados na política brasileira.
Apesar das tentativas em evitar uma eleição plebiscitária, onde dois candidatos polarizam – Dilma e José Serra –, o fato é que na prática são eles que representam o maior antagonismo entre as forças políticas que disputam a eleição.
Dilma tem um passado de militância contra a ditadura. Chegou à Casa Civil pelo desempenho no governo Lula, pela capacidade administrativa e pelo ritmo que imprimiu na gestão do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
O candidato do PSDB, José Serra, representa forças retrógradas. A escolha do seu vice, o deputado Índio da Costa, do partido Democratas (o famigerado Dem), consolida a opção pelas classes dominantes, pelo neoliberalismo, os especuladores e oportunistas de plantão.
A eleição de Serra traria de volta o projeto que ameaçou de desmonte o Banco do Brasil, a Caixa Econômica e outros patrimônios. Por outro lado, a eleição de Dilma pode consolidar as conquistas sociais, políticas e econômicas que o governo Lula representa. É também a primeira vez que uma mulher se candidata à Presidência com tudo pra ser vitoriosa.
(*)Ney Sá é jornalista e editor do Agência Cidadania. |