Na tarde de ontem, terça-feira, dia 23/3, a diretoria da AFBNB foi recebida na sede do Banco pelo presidente da Instituição, Dr. Roberto Smith. Acompanhado da superintendente da Área de Desenvolvimento Humano, Zilana Melo, e do assessor Ozéas Duarte, Smith conversou por duas horas com os representantes do funcionalismo. Na pauta, a volta do Coref, a reestruturação das agências e direção geral e as políticas de desenvolvimento regional e fortalecimento do BNB.
Confira, ponto a ponto, os destaques do que foi discutido na audiência:
1. Volta do Coref
Desde o início da atual gestão, a AFBNB voltou a cobrar a eleição de um representante dos funcionários para o Conselho de Administração do Banco, o chamado Coref. O Coref era uma importante instância de ligação entre o funcionalismo e o Banco, fundamental também para dar mais transparência e democracia nas instâncias decisórias da Instituição.
Na audiência de ontem, o presidente da AFBNB, Cláudio Rocha, fez um histórico da luta pela restauração do Coref e recebeu do presidente do Banco o compromisso de que, na próxima reunião do Conselho de Administração, prevista para acontecer na terceira semana de abril, este ponto estará pautado.
2. Reestruturação das agências e Direção Geral
A AFBNB questionou o modelo de reestruturação das agências e da Direção Geral do Banco implantado na atual gestão. Na visão da entidade e de muitos funcionários, a atual política leva a um crescimento exagerado da Direção Geral em detrimento das demais unidades do BNB.
Os diretores da AFBNB citaram ainda as muitas transferências de funcionários de agências para a sede da Instituição que, além do esvaziamento das pequenas unidades - "que deveriam ser o principal foco do Banco, pois são a ponta do processo de aplicação e acompanhamento dos recursos", reforçaram os diretores - têm gerado também incômodo, pois os funcionários transferidos para a sede passam a ganhar mais, enquanto aqueles que exercem cargos semelhantes em outras unidades permanecem com seus vencimentos inalterados.
O presidente Roberto Smith admitiu que o processo de reestruturação carece de um planejamento mais aprofundado, mas atribuiu esta medida à necessidade de dar respostas ao funcionalismo e à sociedade.
Smith lembrou que, quando assumiu a Instituição, encontrou o Banco necessitando de muitas mudanças e que estas eram urgentes. "Concordo que a área de agências é fundamental, mas tenho que dar suporte para ela funcionar", afirmou. O presidente admite que existe um fortalecimento da Direção Geral, mas avisa: "Uma hora, todo esse investimento será refletido nas agências". Por fim, esclareceu: "As mudanças feitas não são definitivas e que podem passar por uma redefinição. O Banco ainda está sendo ajustado".
Questionado sobre as disparidades salariais, Roberto Smith lembrou que muitos problemas ainda são herança da gestão passada mas que este é exatamente o momento de corrigí-los. O presidente lembrou a atual discussão em torno de um novo Plano de Cargos e Salários para o BNB e informou que contratou uma consultoria externa para fazer um estudo sobre o tema. "É importante uma visão externa para contrastar com a visão do Banco. Mas, nada vai vir goela abaixo, será um estudo para a gente digerir, para levar em consideração na hora de definir as coisas", avisa.
A AFBNB citou ainda o problema da super-valorização de algumas diretorias e superintendências em detrimento de outras; além da quantidade excessiva de superintendências criadas.
Todas os problemas levantados pela entidade foram bem recebidos pelo presidente. "Eu não estou recebendo isso como uma crítica. A gente está querendo acertar e é preciso ouvir. Eu acho isso muito bom", afirmou.
3. Desenvolvimento Regional e o Fortalecimento do BNB
A AFBNB sempre esteve voltada para a defesa institucional do BNB e para o desenvolvimento da região Nordeste. Assim, aproveitou a ocasião para tratar com o Presidente do BNB assuntos como a recriação da Sudene; a parceria com outras instituições de desenvolvimento regional, como DNOCS e Codevasf; a capacitação dos pequenos produtores e tomadores de empréstimo, dentre outros pontos.
O presidente do Banco mostrou-se preocupado com o tema. Ele lembrou que, nos últimos 20 anos, a economia nordestina acompanhou o crescimento da economia brasileira. Mesmo assim, as disparidades regionais não diminuíram. "Então, o Nordeste precisa crescer mais do que o Brasil", defende.
Sobre o BNB, Smith afirmou: "Temos que começar a pensar o BNB de uma forma mais ampla na concessão de crédito. Isso se a gente não quer uma política só de balcão".
A AFBNB ressaltou ainda a importância de revitalizar o escritório do BNB em Brasília, sugestão de pronto aceita pelo presidente.
* Considerações finais
O presidente da AFBNB, Cláudio Rocha, agradeceu a oportunidade de diálogo e afirmou que o encontro superou a expectativa da entidade. Segundo ele, "estamos todos mais tranqüilos quanto às nossas preocupações".
O presidente do Banco também agradeceu a iniciativa da AFBNB, dizendo que a entidade ajuda no crescimento do Banco "tanto elogiando quanto criticando".
Estiveram presentes à reunião, além do presidente da AFBNB, os diretores José Bernardino Carleial, Tomaz de Aquino, Francisco Antônio Carlos (Chicão), Ademir da Silva Costa, Maria Ronilda de Oliveira, Francisco Rocha de Almeida (Rochinha) e Pedro Hudson Silveira. |