Por José Carlos dos Santos*
A chamada globalização, que na verdade nada mais é do que a mundialização do capital, tem imposto sofrimento aos trabalhadores.
Li, faz algum tempo, uma reportagem – creio que foi na Revista do Brasil – sobre um maquinista da Vale do Rio Doce que ganhou um processo trabalhista contra a empresa. Trata-se de um artigo revelador sobre as condições de trabalho que a mesma impõe, apesar do marketing de sustentabilidade social e ambiental.
No texto afirma-se que o maquinista tempos antes trabalhava com um ajudante, mas tinha agora – à época referida – que conduzir sozinho o trem. Deste modo, o trabalho foi muito intensificado e não lhe restava tempo nem mesmo para as refeições e as idas ao banheiro. O inferno é o limite. O trabalhador tinha de fazer as necessidades fisiológicas em cima de jornais, num canto da locomotiva.
É esse tipo de “eficiência” das empresas que destrói a saúde e as condições de vida digna dos trabalhadores. Temos, numa ponta, a degradação do trabalho no chão da locomotiva; noutra, a lucratividade crescente dos acionistas, inclusive internacionais, da empresa.
No livro “Planeta Favela”, o autor Mike Davis nos relata, entre outros fatos, a incrível extensão do trabalho infantil na Índia – crianças que trabalham em atividades perigosas, como em fábricas de vidro, durante 12 horas ou mais horas por dia. Parece inacreditável, mas a Unicef, citada no texto do autor, relata que em Varanasi, cidade sagrada do hinduísmo, mais de 200 mil crianças, na indústria de tapetes e sáris, são mantidas em cativeiro, torturadas e forçadas a trabalhar 20 horas por dia sem interrupção.
Ruth Milkman, Ellen Reese e Benita Roth nos diz em artigo de 1998: “Hoje, muitos homens e mulheres que exercem profissões liberais ou administrativas, casados ou morando juntos, somam seus proventos, mas, no outro pólo da distribuição de renda, é cada vez mais comum uma mulher solteira, mal remunerada, sustentar a família – trata-se da tão discutida “feminização da pobreza.”
As perspectivas são sombrias para o mundo do trabalho, no mundo todo, e não há no horizonte, pelo menos por enquanto, algum sinal de melhora. Vemos os trabalhadores europeus, principalmente os gregos, se mobilizando. Mas, será preciso muito mais movimento.
*José Carlos dos Santos é empregado da Caixa |