O Banco do Nordeste do Brasil, enquanto banco de desenvolvimento regional, é diferente das demais instituições financeiras, por almejar uma missão social, para além da mera acumulação do capital especulativo e da busca incessante da maximização do lucro. O BNB tem um papel como instrumento de transformações que possibilitem o desenvolvimento regional sintonizado com as aspirações do povo nordestino. Este processo não pode se realizar sem uma política séria e confiável de valorização de seus funcionários. Infelizmente não é o que parece apontar a última comunicação oficial do BNB aos seus funcionários, suspendendo e sequer anunciando nova data para o pagamento da segunda parcela da Participação nos Lucros e Resultados (PLR). Após a reunião de ontem (13/4) das direções do BNB e da Associação dos Funcionários do Banco do Nordeste do Brasil (AFBNB), a Direção do Banco, através da Superintendência de Desenvolvimento Humano, fez circular aos nossos colegas uma nota tentando explicar o anunciado atraso no pagamento da 2ª parcela da PLR aos funcionários. Diante das razões expostas na reunião e confirmadas no documento, a Direção da AFBNB, além de manter os questionamentos anteriores, acrescenta novas inquietações que têm tirado o sono dos funcionários. Senão vejamos: 1) Como os funcionários honrarão seus compromissos assumidos previamente, já que acreditaram no indicativo do dia 15/4 para pagamento da PLR, pelo BNB? O sistema financeiro sobrevive da credibilidade frente a informações confiáveis. Os funcionários do Banco organizaram suas vidas e assumiram compromissos com terceiros, confiando no compromisso firmado pela direção do BNB. Como fica a credibilidade do Banco? 2) Como fica o respeito ao acordo coletivo de trabalho? Este problema é da direção do BNB. O cumprimento do acordo é inarredável. Ao não cumpri-lo, a diretoria do BNB passa a idéia de ser irresponsável, incompetente ou omissa, o que traria graves conseqüências à sua credibilidade em futuras negociações. Daí a Diretoria da AFBNB insistir na necessidade de o Banco efetuar o pagamento no dia acordado. 3) Por que o Banco demorou tanto a se manifestar sobre as dificuldades para pagamento da 2ª parcela da PLR? Como pode um órgão de nível ministerial querer sobrepor-se a um acordo coletivo de trabalho, que tem força de lei? Não dá para a direção do BNB livrar-se de sua responsabilidade atribuindo a outrem o que é de sua alçada. O provisionamento é necessário e desejável, mas insuficiente. Por que o Banco não tomou as medidas necessárias junto ao DEST e não conseguiu cumprir o acordo? Nossa expectativa é de que o pagamento seja efetuado na data aprazada e o acordo coletivo seja respeitado em sua íntegra. A Direção do Banco, ao beneficiar exclusivamente o grande capital, pelo pagamento dos dividendos aos acionistas, inversamente ao que acontece com a PLR dos funcionários, quando não honra seu compromisso, adota uma atitude contraditória e deixa dúvidas sobre quais interesses deseja valorizar. A diretoria da AFBNB e os funcionários do Banco, estarrecidos diante do exposto acima, reafirmam, mesmo assim, sua esperança de uma solução plausível por parte do Banco, do contrário não nos restará alternativa a não ser a de convocar os sindicatos dos bancários nos Estados para somar numa grande manifestação de descontentamento e pressão da base da categoria imediatamente, não descartando, inclusive, as medidas judiciais cabíveis. |