Há muito que se fala no vigor da economia da Região Nordeste e no crescimento acima da média nacional. No estudo A Evolução Recente do Quadro Socieconômico da Região Nordeste do Brasil, realizado pelo economista e especialista em estatísticas econômicas e sociais, Herodoto de Sousa Moreira,nos meses de março e abril deste ano, ele explica as razões desse desempenho. Destaca que o crescimento verificado nos setores industrial e de serviços da região nos anos 2000 é embasado, em grande parte, em investimentos fixos e na elevação do consumo das famílias,impulsionado pela expressiva elevação do poder aquisitivo da população, principalmente a de baixa renda.
O especialista ressalta que com a estabilidade de preços, aumento do emprego, elevação da massa salarial, crescimento real do salário mínimo e substancial incremento e alongamento do crédito, a população que se encontrava há muito tempo marginalizada do mercado consumidor passou a consumir. ``A população com rendimento mensal domiciliar per capita de até dois salários mínimos (R$ 1.020), que abrange 84,7% da população do Nordeste, foi a mais a mais beneficiada em termos de ganho real de renda familiar na última década, passando a buscar fortemente a satisfação da sua demanda reprimida. ``É uma tremenda potencialidade``, diz, acrescentando que ainda existe uma camada marginalizada que vai entrar no mercado consumidor.
Herodoto Moreira observa que grande parte das empresas que instalam no Nordeste hoje vêm para a região pensando nesse mercado e aqui geram emprego e mais consumo. ``Isso gera um círculo virtuoso de crescimento para a economia``. Lembra ainda a quantidade de empregos gerados a partir de equipamentos como o Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CE) e o Porto de Suape (PE) e Camaçari (BA).
Entre os segmentos econômicos do Nordeste mais beneficiados nos últimos anos, pelo expressivo crescimento do mercado de consumo interno e externo estão: gêneros de alimentos e bebidas, vestuário e acessórios, celulose e produtos de papel, minerais não metálicos e metalúrgica básica, na indústria de transformação; a construção civil, em razão de construções e melhoramentos de edificações residenciais e edificações não residenciais e obras, notadamente nas áreas industriais e de serviços. E ainda atividades de produção e distribuição de energia elétrica, água e gás; o comércio, os serviços de comunicações (telefonia), as atividades de alojamento, alimentação e serviços na área financeira.
PONTOS DA PESQUISA
>O Produto Interno Bruto (PIB) regional do Nordeste apresentou incremento real médio anual de 3,4%, ao longo dos últimos 18 anos (1991-2009), resultado este superior à taxa de 3,2% ao ano obtida pelo Brasil como um todo, no mesmo período
>O PIB a preço básico nordestino registrou a taxa média real anual de crescimento de 4,2%, contra a taxa de 3,4% obtida pela economia brasileira, no período 2002-2009, tendo superado todos os incrementos anuais do PIB nacional, à exceção do verificado no ano de 2007
>Desde o início do Plano de Estabilização Econômica, o consumo das famílias de baixa renda vem induzindo fortemente a melhoria do desempenho de várias atividades no País e particularmente no Nordeste, em razão do peso de sua participação. Inicialmente, o consumo dessa faixa da população direcionou-se para a alimentação e o vestuário, passando em seguida para o segmento eletroeletrônico, voltando-se posteriormente, para a construção e o melhoramento de suas moradias, o que contribuiu para que a indústria da construção civil crescesse 28,2%.
NÚMEROS
20
Bilhões foi o quanto o bnb aplicou na região nordeste (norte de mg e es) em 2009. Um crescimento de 50% em relação a 2008 quando foram aplicados r$ 13 bilhões
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