O dia dedicado ao trabalhador não nasceu de festas e comemorações. Ao contrário, foi o estopim de uma situação arrastada há décadas, de exploração e de condições degradantes de trabalho que levou milhares de trabalhadores às ruas de Chicago (EUA). O resultado dos protestos – que não se encerraram naquele momento – veio após quatro anos, com a redução da jornada de trabalho de 12 para 8 horas diárias.
Passado mais de um século, as condições de trabalho sem dúvida são outras. Já não se admite o trabalho escravo ou a exploração da mão de obra infantil; os trabalhadores estão mais bem informados de seus direitos – fator primordial para reivindicá-los – e o Brasil elegeu por duas vezes um sindicalista para governar a nação. Os ganhos reais do salário mínimo se refletem na vida do trabalhador. Mas ainda há muito a ser feito, sobretudo porque as disputas inerentes à relação capital/trabalho permanecem, exigindo dos trabalhadores mobilização permanente.
No setor bancário, a situação revolta: de um lado, bancos apresentando lucros recordes a cada semestre. Do outro, trabalhadores bancários com baixos salários e necessidades crescentes; muitas vezes endividados, sendo alvo de assédio moral e tendo pesadelos diários com imposição de metas abusivas. Isto sem falar da extrapolação da jornada de trabalho, quase sempre não paga. As condições de trabalho, de tão insalubres, resultam cada vez mais em afastamentos por doenças e, diferente de anos anteriores, quando os males eram físicos, agora são psicológicos.
Apesar de ter uma missão diferenciada e o foco não ser o lucro, e sim o desenvolvimento, o Banco do Nordeste não tem fugido à regra, o que é lamentável para a instituição. Seus trabalhadores merecem mais no dia dedicado a eles, mas principalmente nos outros 364 dias do ano: respeito, valorização, tratamento isonômico, transparência na gestão e, sobretudo, um Plano de Cargos compatível com a nobre missão do BNB. Estes valores, se não reconhecidos, deverão ser conquistados tal como foi a histórica conquista das 8h diárias de trabalho, na luta permanente, consciente e organizada.
José Frota de Medeiros – presidente da Associação dos Funcionários do BNB (AFBNB) |