“Terra, água e trabalho – O Semi-árido e a transposição do Rio São Francisco” foi o tema central da 27ª Reunião do Conselho de Representantes da AFBNB, ocorrida nos dias 1° e 2 de abril, na cidade de João Pessoa (PB). Além do tema central, os representantes discutiram sobre desenvolvimento e o novo modelo de BNB, informaram-se e debateram acerca de diversas questões de interesse do funcionalismo e apontaram diretrizes quanto ao funcionamento da AFBNB e o papel de seus representantes.
A abertura da 27ª Reunião do Conselho de Representantes da AFBNB foi feita pelo presidente da entidade, José Frota de Medeiros. Ele saudou os presentes e destacou a determinação dos representantes, muitos vindos de longe, para participar das discussões. Medeiros ressaltou, ainda, a importância do tema central da Reunião para todos os nordestinos.
Após a saudação, teve início o primeiro painel do evento, “Terra, água e trabalho – O Semi-árido e a transposição do Rio São Francisco”, com o chefe de gabinete do Ministério da Integração Nacional e Coordenador Geral do Projeto São Francisco, Pedro Brito Nascimento, que falou sobre o projeto e seus benefícios; e a coordenadora da Câmara Técnica de Planos do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco e docente da Universidade Federal da Bahia, Yvonilde Dantas Medeiros, que tratou dos possíveis impactos e prejuízos com a transposição.
O coordenador geral do Projeto São Francisco, Pedro Brito, destacou que a integração de bacias hidrográficas é uma tecnologia dominada no mundo inteiro, tendo sido implementada com sucesso nos EUA e países da Europa e América Latina. Além disso, os 26 m3/s de água que serão tomados do rio São Francisco correspondem a menos de 1% de sua vazão, ou seja, da água que é despejada no mar. Brito afirmou ainda que a transposição integra o Programa de Desenvolvimento Sustentável do Semi-Árido e da Bacia do São Francisco, que prevê a revitalização das bacias e o combate à desertificação, dentre outras ações. O principal, segundo destacou, é que a transposição trará segurança hídrica para a população nordestina, possibilitando o uso da água durante o ano inteiro, dando condições para que as pessoas permaneçam em sua terra, coexistindo com a seca.
Já a professora Yvonilde Medeiros, do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco, informou que o semi-árido nordestino é banhado por cerca de 40% do rio e apontou todos os usos possíveis da água: geração de energia, navegação, pesca, aqüicultura, turismo, lazer, indústria e consumo. Segundo ela, o comprometimento faz desta bacia uma área de grandes conflitos. A professora questionou se os 26m3/s que serão retirados do rio realmente atenderão a 12 milhões de habitantes, conforme vem sendo divulgado pelo Ministério da Integração Nacional. Ela admitiu que o projeto de engenharia da transposição foi bem elaborado, mas reclamou que falta clareza quanto ao uso dos R$ 4,5 bilhões orçados para as obras, quanto ao processo de revitalização do rio e quanto à garantia de que o projeto trará segurança hídrica a quem realmente precisa. Para Yvonilde Medeiros, serão os grandes empresários do agronegócio que se irão se beneficiar com a transposição. A professora criticou, ainda, o alto custo de operação/manutenção da transposição.
À tarde, foram convidados a integrar a mesa do segundo painel do evento, “Desenvolvimento e o novo modelo de BNB”: Margarete Bezerra Cavalcanti, superintendente estadual do BNB na Paraíba, que falou sobre desenvolvimento e resultados do Banco; Guerino Edécio, doutor em economia e colaborador da Central Operacional de Recife (CENOP/Recife), que fez uma análise crítica sobre os resultados do banco e sua promoção do desenvolvimento; Assis Arruda, diretor de Negócios e Gestão de Pessoas do BNB, que participaria representando o presidente do banco, Roberto Smith, mas não pôde comparecer ao evento. Sua palestra versaria sobre o modelo e a política de atuação do banco. Como a instituição não enviou outro palestrante, o tema ficou sem a devida apresentação por parte do BNB; e Paulo Dídimo, consultor interno do Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (ETENE), que fez uma análise crítica do modelo e política de atuação do BNB.
No sábado, 2/4, após receberem informações atualizadas acerca das negociações do novo Plano de Cargos e Remuneração (PCR) e do Passivo Trabalhista, além da proposta de retorno do cargo de Conselheiro Representante dos Funcionários (COREF), os representantes da AFBNB se dividiram em Grupos de Trabalho. Os grupos 1 e 2 discutiram “Funcionamento do Conselho e o papel do representante; os grupos 3 e 4, “Planejamento Estratégico para 2005”; e os grupos 5 e 6, “Desenvolvimento e o novo modelo de BNB”. Todos os grupos discutiram, ainda, o tema “Questões Funcionais”. À tarde, todas as propostas dos grupos de trabalho foram levadas para a Plenária Final.
Confira os detalhes da 27ª RCR da AFBNB no próximo jornal Nossa Voz. |