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22/03/2010 |
Arruda, o grupo Abril e a "tempestade no cerrado" |
“Numa cidade acostumada a conviver com exibições grotescas de todo tipo de privilégio e desperdício de dinheiro público, o governador chegou pela contramão ( Revista Veja, 15 de Julho de 2009, se referindo ao presidiário do DEM, ex-governador do DF)
O jornalista Mauro Carrara publicou artigo recente onde conclama os verdadeiros democratas a assumirem seus postos na defesa da verdadeira liberdade de imprensa (veja: http://rodrigovianna.com.br/plenos-poderes/carrara-a-midia-e-a-tempestade-no-deserto-e-guerra). Diz ele que está em curso no Brasil a operação “Tempestade no Cerrado”, que seria um plano orquestrado pela mídia golpista na tentativa de desestabilizar o governo e a candidatura da ministra Dilma Rousseff. Para Carrara qualquer escrito postado na internet e circulando por e-mail é uma forma de se contrapor ao cerco da imprensa burguesa.
Qualquer observador mediano percebe como funciona o plano da ditadura midiática instalada no país. O esquema é simples: um jornal ou revista (Folha, Veja, Época, Estadão, O Globo etc) divulga uma denúncia, esta é reverberada no noticiário da TV com todo estardalhaço, as oposições no parlamento caluniam os acusados (normalmente gente do governo, preferencialmente do PT) e pedem instalação de CPIs. Centenas de artigos serão escritos, debates com figuras escolhidas a dedo "discutirão" os temas (como aqueles que reúnem as piruas do Jô) e milhares de preconceituosos e racistas desfilarão ódio e insultarão o presidente com e-mails e cartas aos jornais e revistas.
Seguindo a orientação de Carrara, assumo meu posto de combate e abordarei aqui a forma como a Veja tratou o “escândalo” da Bancoop, envolvendo o tesoureiro do PT, João Vaccari e o escândalo do “mensalão” do DEM. Antes é necessário resgatar uma badalada entrevista feita com ex-governador do Distrito Federal nas privilegiadas páginas amarelas do semanário da família Civita.
É bom lembrar também que aquele espaço é concedido normalmente a quem se afina com a linha editorial da revista, marcadamente de direita, defensora dos privilégios da elite corrupta e avarenta do país. Era o mês de Julho de 2009 e a oposição procurava um vice para Serra. José Roberto Arruda era um nome perfeito para a Veja, "homem na contramão do privilégio e do desperdício”, conforme a texto introdutório da entrevista, que se limitou a levantar a bola para deixar inteiramente à vontade o chefe de uma organização criminosa que seria desbaratada posteriormente pela eficiente Polícia Federal fortalecida pelo governo Lula.
“O fisiologismo está entranhado na política. A única diferença entre um governante e outro é o limite de tolerância em relação à prática”. Esta frase foi uma das que a Veja costuma destacar nas entrevistas. Logo depois, uma pergunta curiosa é feita para que o homem "do rigor e da seriedade" arrematasse: “Qual o seu limite?” E ele respondeu para orgasmo do entrevistador: - É o limite ético. Depois o ex-senador vai dizer que quando é abordado por alguém com interesses antiéticos ele se finge de bobo. Como se vê, não tinha nenhum bobo na conversa. A Veja queria ali fazer uma contraposição de um governo supostamente ético e eficiente ( o do DEM/PSDB) com outro, supostamente corrupto e fisiológico, o do presidente Lula. Seis meses depois, o exemplo de administração pública do Grupo Abril se encontra olimpicamente desmoralizado e seu executor do projeto, atrás das grades.
Até os iniciantes na política sabem que o DEM (ex-ARENA, ex-PDS, ex-PFL) funciona mais como quadrilha do que como agremiação partidária. Seus principais quadros são quase todos originários das oligarquias corruptas e violentas que saquearam o país no tenebroso período da ditatura. O mais destacado quadro do "partido" no período recente foi o senador ACM, uma excrescência política, figura abjeta - deplovel em todos os sentidos. Aqueles senadores e demodeputados que clamam por ética, liberdade de expressão naa atualidade, foram os mesmos que apoiaram a censura, as torturas e assassinatos políticos e se enriqueceram mamando na tetas dos sofridos cofres públicos.
Voltando ao assunto, a família Civita não deu uma capa sequer à quadrilha do DEM/PSDB que se instalou em Brasília com ramificações em outros estados, mas já colocou em duas o surrado caso da Bancoop (de 2005), já divulgado por outra revista, que não teve repercussão alguma. Com base em depoimento de um procurador desqualificado e sem ouvir o tesoureiro do PT, fez denúncias requentadas no afã de alterar o quadro eleitoral - que a cada momento piora para o lado deles. É difícil de entender porque eles insitem nessa tática udenista de atacar pelo lado moralista - quando não tem moral alguma - , e pelo fato desse caminho não ter sido suficiente para virar o quadro na eleição passada.
O resultado da pesquisa do Ibope desta semana demonstra que apenas 5% dos brasileiros desaprovam o governo Lula que eles tanto desqualificam. 53% dos eleitores dizem preferir votar no (a) candidato (a) apoiado (a) pelo presidente Lula, enquanto apenas 10% se inclina a votar na oposição. Assim, é de se supor, como bem disse Carrara, que denúncias requentadas e infundadas virão por aí, e nós, aqueles que não se calam e nem se acovardam diante do rolo compressor do PGI (Partido da Mídia Golpista, caracterização de Paulo Henrique Amorim para os barões da mídia e seus associados) estaremos de prontidão para a defesa da democracia e da verdadeira liberdade de expressão.
(*) Geraldo Galindo é diretor do Sindicato dos Bancários da Bahia, da Associação dos Funcionários do BNB e membro da Executiva Estadual do PCdoB-Bahia. |
| Última atualização: 22/03/2010 às 10:18:00 |
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