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24/02/2010 |
Cuba continua desenvolvendo novos produtos biotecnológico |
O diretor de Pesquisas Biomédicas do Centro de Engenharia Genética e
Biotecnologia (CIGB) de Havana, dr Gerardo Guillén Nieto, informou ao Granma Internacional que essa instituição atualmente está pesquisando e executando ao redor de 70 projetos para combater as doenças infecciosas, cardiovasculares e o câncer.
Relatórios da Organização Mundial da Saúde salientam que 45% das mortes nos
países pobres são provocadas por doenças infecciosas.
Em Cuba, depois d e 1959, a situação mudou e estas doenças deixaram de ser um
problema de saúde, graças à vigilância epidemiológica do prestigioso
Instituto de Medicina Tropical "Pedro Kourí" (IPK), que possui em seus
prédios quatro centros colaboradores das organizações Mundial e
Pan-Americana da Saúde, entre os quais, o da dengue e seu vetor.
O quadro de saúde cubano atual caracteriza-se pelo predomínio das doenças
cr?nicas não transmissíveis, constatando-se um incremento do câncer e das
doenças cardiovasculares, que figuram entre as primeiras causas de morte nas
nações de Primeiro Mundo.
A carteira de projetos do CIGB é muito forte, disse o dr Guillén, e explicou
que contém produtos novos recentemente patenteados e outros em processo de
desenvolvimento.
Entre os recentemente patenteados mencionou a vacina combinada Heberpenta e
a Heberprot-P, uma solução injetável do fator de crescimento epidérmico.
A Heberpenta permite, com uma única injeção, proteger as crianças da
difteria, tétano, conqueluche, hepatite B e doenças causadas pela bactéria
Haemophilus influenzae tipo b.
Participaram de sua criação o CIGB, o Instituto Finlay e o Laboratório de
Reativos Químicos da Universidade de Havana.
Segunda de seu tipo no mundo, esta vacina profilática líquida tem
efetividade similar à fabricada pela transnacional GlaxoSmithKline.
A pentavalente cubana faz parte do Programa Nacional de Vacinação, aplicado
em massa e de maneira gratuita, protege a população infantil de 13 doenças
previsíveis, mantendo erradicados no país a poliomielite (desde 1962) — Cuba
foi a primeira nação do continente a eliminar esse mal —, o tétano do
recém-nascido (desde 1972), a difteria, a coqueluche, o sarampo, a rubéola,
a meningite tuberculosa em menores de u m ano.
Por outro lado, o Heberprot-P é o único produto no mundo que favorece a
cicatrização de complicadas úlceras, como as do pé diabético (UPD), e reduz
o risco de amputação de membros inferiores nestes pacientes, o qual
repercute na qualidade de vida.
Hoje, no mundo existem 285 milhões de diabéticos, número que aumentará para
438 milhões em 2030, de acordo com estimativas de organismo internacionais.
Em Cuba, a cifra poderia atingir 624 mil em 2010, segundo informou o diretor
do Instituto Nacional de Endocrinologia, dr Oscar Díaz, numa Mesa-Redonda,
em 2007, que abordou esta doença e seu tratamento.
A Ilha, contudo, registra a menor taxa de mortalidade por diabetes (12,3 em
cem mil habitantes) de todo o continente americano, conforme um documento
difundido pela Organização Pan-Americana da Saúde.
Desenvolvido em conjunto com o CIGB e o Instituto Nacional de Angiologia e
Cirurgia Vascular, o Heberprot-P foi registrado em junho de 2006 na Ilha e
incluído, em abril de 2007, na relação básica de medicamentos, composta por
866 fármacos, dos quais, 537 de produção nacional.
"Disponível nos serviços de angiologia de todos os hospitais cubanos, desde
o final do ano passado trabalha-se para estender seu uso ao atendimento
primário de saúde", informou o chefe de Desenvolvimento de Negócios do CIGB,
Ernesto López Mola, numa entrevista com o nosso semanário em 2008.
O biofármaco foi patenteado nos EUA, União Européia, Austrália, Hong Kong,
Cingapura, Coreia do Sul, África do Sul, Federação Russa, China, Índia e
Ucrânia. O seu uso foi autorizado na Venezuela e Argélia.
Os cidadãos norte-americanos, no entanto, não podem se beneficiar dele por
causa do bloqueio imposto pelo governo dessa nação a Cuba.
Nos EUA, há quase 2 0 milhões de diabéticos, registram-se anualmente mais de
70 mil amputações por causa da UPD e as feridas diabéticas custam ao sistema
de saúde aproximadamente $US$11,3 trilhões a cada ano.
Heberpenta e Heberpro-P são as mais recentes aquisições da carteira de Heber
Biotec S. A., entidade que comercializa de maneira exclusiva, em mais de 45
países da América Latina, Ásia, África e Europa oriental, os produtos
biotecnológicos e farmacêuticos, serviços tecnológicos e projetos de
pesquisa e desenvolvimento do CIGB e de outras importantes instituições e
laboratórios cubanos.
A Heber Biotec S. A. conta com mais de 200 Registros Sanitários aprovados em
52 países e acordos de distribuição assinados com companhias no mundo todo.
A gerente de Promoção e Publicidade dessa empresa, Madaysy Cueto Sánchez,
explicou ao GI que os dois produtos são comercializados na linha Heberfarm a.
A pentavalente na seção de vacinas e o Heberprot-P em medicamentos
biológicos.
Segundo dados oferecidos a esta repórter, mais de 335 milhões de pessoas no
mundo se beneficiaram com as vacinas que a Heber Biotec S. A. exporta.
Além da pentavalente, essa empresa comercializa a Trivac HB (contra a
difteria, coqueluche, tétano e hepatite B), a recombinante Heberbiovac HB
(contra a hepatite B), e a combinada Quimi-Hib (contra a bactéria
Haemophilus influenzae tipo b).
A Heber Biotec S. A. e o CIGB formam um complexo de
pesquisa-desenvolvimento, produção e comercialização.
Inaugurado em 1º de julho de 1986, o CIGB é uma instituição de vanguarda nas
biociências cubanas, cujo valor principal está no seu pessoal altamente
qualificado e comprometido com o desenvolvimento de novos produtos para
melhorar a qualidade de vida de milhões de pessoas de todo o mundo, além de
outros para aplicações agrícolas e pecuárias.
Conta com laboratórios dotados do equipamento necessário para as pesquisas
avançadas na biotecnologia moderna e com facilidades produtivas, que cumprem
as mais altas exigências internacionais.
O CIGB pertence ao Polo Científico do Oeste de Havana, organizado em 1991
com vista a acelerar o desenvolvimento da biotecnologia e a produção
médico-farmacêutica, mediante a coordenação sistemática entre as diversas
instituições que foram surgindo na década de 1980, com a intervenção muito
direta de Fidel.
No recém-conlcuído Congresso Biotecnologia Havana 2009, o diretor do CIGB,
dr Luis Herrera, reconheceu o papel do líder da Revolução Cubana como
precursor do desenvolvimento biotecnológico no país, que contou com um
investimento inicial do governo, na década de 1980, de mais de US$1,5 bilhão
e que permitiu a uma na ão subdesenvolvida e bloqueada pelos EUA colocar-se
ao mesmo níveo dos melhores do mundo nessa área.
Dos produtos em desenvolvimento pelo CIGB, o dr Guillén destacou a
Proctokinasa, que não é mais que a aplicação, por via retal, em forma de
supositório, da estreptoquinase recombinante, a qual favorece a dissolução
dos trombos. Segundo ele explicou, este produto em breve será patenteado.
Ressaltou que se encontra na fase 3 de testes clínicos um gel de interferon
Alfa 2b humano recombinante (Hebergel), indicado para lesões de baixo grau
de cérvice. Enquanto o HeberPAG, uma combinação dos interferons Gama humano
recombinante e o Alfa 2b humano recombinante, indicado para câncer de
cérebro, encontra-se em estágio avançado de desenvolvimento.
Apontou que a vacina terapêutica contra o vírus da hepatite C (Heberterap C)
está na fase 2 de testes clínicos em pacientes cr?nicos e acrescentou que
começam estudos para sua aplicação de maneira profilática.
Quanto à vacina terapêutica contra o câncer de próstata (Heberprovac), disse
que concluiu a fase 1 de testes clínicos.
Assinalou que em pesquisa pre-clínica se encontra uma vacina profilática
contra as quatro cepas do vírus da dengue (Cuba é um dos três países das
Américas onde esta doença não é endêmica), além de drogas contra doenças
como a artrite reumática.
Alguns destes projetos foram apresentados por Cuba em Biotecnologia Havana
2009, dedicado neste ano às aplicações médicas dessa área do saber, e contou
com a presença de destacados pesquisadores, como o Prêmio Nobel de
Fisiologia e Medicina 2008, Harald zur Hausen, e o Prêmio Nobel de Química
1988, Robert Huber.
Durante o evento, os cerca de 500 especialistas de mais de 30 países tomaram
conhecimento de que os pro dutos biotecnológicos da maior das Antilhas
contribuem para o diagnóstico, prevenção e tratamento de 26 doenças.
Em 2007, os produtos cubanos da indústria farmacêutica e da biotecnologia
ocuparam o segundo lugar nas exportações do país, apenas superados pelo
setor do níquel. As receitas pela venda de medicamentos foram avaliadas em
US$350 milhões.
Não por acaso a prestigiosa revista científica britânica Nature qualificou
nossa indústria biotecnológica como a melhor estabelecida de todo o Terceiro
Mundo. • |
| Fonte: Gramna |
| Última atualização: 24/02/2010 às 13:05:00 |
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