Para o Nordeste brasileiro, a crise na Europa é ganho, é oportunidade. É assim que o presidente da Agência de Desenvolvimento Econômico do Ceará (Adece), Antônio Balhmann, resume seu pensamento sobre a crise em torno de um grupo de países batizado de Piigs (sigla em inglês para Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha). Essas nações enfrentam grandes déficits nos seus orçamentos e o temor é que elas possam não pagar as suas dívidas.
Por enquanto, apenas os mercados financeiros reagiram com quedas nas bolsas. Mas existe a preocupação da União Europeia (UE) e do mundo que a crise possa se agravar e atrapalhar a recuperação da economia global, abalada pela crise norte-americana desencadeada em 2008. Especialistas ouvidos pelo O POVO divergem sobre a intensidade dos reflexos que esse novo abalo possa provocar nas economias mundiais e, mais especificamente, no Ceará, onde investidores portugueses e espanhóis, principalmente, têm negócios.
Segundo Balhmann, o investimento dos chamados países ibéricos, especialmente Portugal e Espanha, já é expressivo. Ele não revela quanto, mas afirma que os projetos turísticos, imobiliários e em energia serão fortalecidos. Balhmann diz que os investidores europeus vão deslocar o fluxo de capital de lá para cá. Isso, aliás é o que já vem fazendo no Nordeste.
Observa ainda que o problema lá não é de falta de capital mas de oportunidade. ``Empresas construtoras espanholas estão entrando no Nordeste e no Ceará interessadas em aplicar em habitações populares``, completa.
Para o economista e consultor Alcântara Macedo, a crise localizada e decorrente ainda da crise norte-americana vai afetar os investimentos de formas diferentes. ``Em alguns setores pode até melhorar porque o Brasil é uma opção``, diz, considerando porém que o investimento da segunda residência e dos pequenos resorts já está afetado. ``O investimento imobiliário de pequeno porte acabou``, observa, adiantando que não se refere a grandes construtoras. Observa ainda que projetos na área de infraestrutura e energia estão garantidos. Destacando que o Brasil ``é a bola da vez`` em relação a investimentos internacionais, reforça que o recuo é pontual.
O presidente do Instituto Brasileiro dos Executivos de Finanças no Ceará (Ibef-CE), Sérgio Melo, avalia que no Estado os investimentos de pequeno porte dos portugueses e espanhóis, a exceção dos de energia eólica, devem sofrer pouco ou nada. ``O Brasil é uma oportunidade para negócios na área de turismo que ainda não deslanchou para valer``, comenta, enfatiza que esses investimentos podem se fortalecer ainda mais no Nordeste região que cresce mais que a média nacional.Considera que também os projetos em energia eólica devem permanecer por causa do alto grau financiamento brasileiro. Explica que os estrangeiros estão entrando com tecnologia e pouco capital porque estão recebendo grandes aportes do Banco do Nordeste do Brasil (BNB) e Banco Nacional Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
NÚMEROS
310
MILHÕES DE DÓLARES SÃO OS INVESTIMENTOS REALIZADOS ENTRE BRASIL E PORTUGAL EM 2009.
65 milhões
DE DÓLARES FORAM OS INVESTIMENTOS REALIZADOS ENTRE BRASIL E PORTUGAL NO ANO DE 2008. |