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Notícias

  09/11/2009 

Mobilidade de renda entre nordestinos é 2ª maior do País

Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) aponta que cerca de 11 milhões de brasileiros saíram do estrato de menor renda (até R$ 188) para o intermediário (até R$ 465). O Nordeste teve uma contribuição grande para a estimativa. Em dez anos, 4,6 milhões melhoraram de vida, o segundo maior resultado do País

Condomínio Nossa Senhora de Fátima, Lagamar. Lá vivem 342 famílias que há cerca de um ano foram retiradas da Comunidade Maravilha, área de risco de Fortaleza, e transferidas para um espaço mais urbanizado. Para muitas dessas famílias, a mudança foi um dos pontos altos de uma transformação que vem se dando há uns 10 anos. É o caso da comerciante Liduína da Silva. Aos 41 anos, ela viu a vida melhorar nessa última década. ``Já rebocamos a casa, colocamos o piso. Comprei dois guarda-roupas, cama nova que as das meninas estavam quebradas``.

Além disso, Liduína trocou a venda de cosméticos e bijuterias no porta-a-porta por seu próprio ponto comercial onde vende arroz, feijão, perfume, chinelo e o que mais for preciso. Ainda vende fiado, na base da cadernetinha, mas conseguiu pagar tudo o que comprou a prazo para abrir seu negócio.

A história de Liduína se confunde com a de outros 11,7 milhões de brasileiros que nos últimos 10 anos participaram de uma ascensão para estratos de maior renda. Os números são de uma pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que tem como base dados da Pesquisa Nacional de Domicílios (Pnad 2008), e apontam para um processo de mobilidade entre as classes sociais. ``Há sinais da volta da mobilidade social no País, o que não se via até a década de 90``, afirma o presidente do Ipea, Márcio Pochmann.

Nesse processo de evolução, o Nordeste tem lugar de destaque, respondendo por 34% das pessoas que saíram do menor estrato da população para o intermediário. Ao mesmo tempo, a pesquisa indica que 50% da população nordestina continua no mais baixo estrato de renda. De acordo com levantamento da consultoria Tendências, publicado na Revista Exame, essa mobilidade tem relação com os programas de transferência de renda, como o Bolsa Família. Afinal metade das 12 milhões de famílias que recebem o benefício moram no Nordeste.

Novamente, os números se encontram com Liduína. Mãe de cinco filhos, a microempresária recebe o benefício referente a dois deles. Por mês, são R$ 122 que pagam a escola de Raiane, 16, além dos calçados e do material escolar. Quatro anos atrás, o benefício financiou em 24 prestações o computador da família. ``Somos uma família humilde, mas lutadora``, ela afirma, orgulhosa de ter um filho cursando universidade.

Fonte: Jornal O Povo
Link: http://opovo.uol.com.br/opovo/economia/925915.html
Última atualização: 09/11/2009 às 08:05:00
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