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Notícias |
21/10/2009 |
Considerações sobre adiamento da negociação |
Recebi hoje várias ligações e emails sobre a nota enviada pelo coordenador da Comissão Nacional com o anúncio de que o banco adiou a negociação marcada para quinta-feira. O Banco alegou que ficaria até a segunda-feira em Brasília para tratar no DEST do plano de previdência complementar.É bom saber que por trás desses movimentos, interesses outros podem ser o verdadeiro objetivo de um protagonista da luta em curso. Faz parte da luta de classes.
Como questionou com pertinência nosso amigo e colega Dorisval, dirigente da AFBNB, o fato de a superintendente Desenvolvimento Humano ficar em Brasília até segunda-feira é motivo suficiente para cancelar/adiar a negociação agendada? Essa negociação não poderia acontecer na sexta, sábado ou domingo? A propósito, algum diretor não deveria estar nas negociações numa greve que se arrasta há mais de 25 dias? Se a superintendente fica em Brasília, não teríamos algum outro gestor que pudesse discutir com as entidades representativas? É lógico que sim.
O que pode estar por trás desse movimento é exatamente a tática de tentar empurrar a greve para uma derrota que seria comemorada por aqueles que comandaram em Fortaleza o fim da greve no Ceará. É bom que saibam estes oportunistas, que pululam em troca de favores e benesses, que seus próprios superiores não têm confiança neles, na medida em que sabem que são traidores de seus colegas, e que não teriam pudor em traí-los também desde que novos privilégios os beneficiassem. Uma mudança de governo, por exemplo, levaria todos ou parte deles imediatamente para outros colos sem pestanejar.
Bem, se a tática é tentar desmoralizar o movimento e desgastar as entidades sindicais, o que não vejo como tendência principal, é bom que o banco saiba que mesmo um eventual fim da greve sem as conquistas asseguradas deixaria a maioria dos funcionários da empresa tristes, irritados, desestimulados. É bom lembrar também que os 84 bajuladores da assembléia do Ceará podem ser até valorizados pela direção do banco, mas são um número inexpressivo diante do conjunto do funcionalismo, decepcionados com o covarde ato de traição deles.
O banco precisa saber que o grosso do funcionalismo se irritou, se irritou muito, com esse jogo de procrastinação que se arrasta ao longo do tempo e com o deprimente episódio da assembléia citada. A paciência se esgotou com o lenga-lenga de promessas que não se cumprem. Ninguém mais suporta o privilégio para parte da base de bancários do Ceará de terem seus passivos trabalhistas negociados quando os outros estados têm demandas semelhantes ou até mais avançada.
Os funcionários novos, a maioria do funcionalismo do banco, não aguenta mais ser tido como empregado de segunda categoria - com um piso salarial humilhante e sem direitos da turma mais antiga - como o plano de previdência complementar.
Uma das razões que podem eventualmente ter feito o banco mudar a data da negociação foi o fato de gerar o temor ( o terror ) de ultrapassarmos o 30º da greve, o que em tese poderia gerar represálias mais duras - tese essa sem base real, a meu ver. Recentemente, parte de funcionários da CEF (engenheiros e advogados) ultrapassaram os 30 dias de greve e mesmo a Caixa ajuizando ação o TST, suas formulações foram derrotadas e a greve foi plenamente vitoriosa.
Estou sugerindo reunião amanhã em Salvador dos delegados sindiciais, representantes da AFBNB e piqueteiros. Defendo a tese, a princípio, de que devemos convocar assembléia só na próxima segunda-feira à noite, depois da reunião do banco com o DEST - o que significaria a suspensão da assembléia da quinta, já que novidade alguma há para ser discutido. Sugiro também reunião da Comissão Nacional na quinta-feira de manhã0 para avaliar a nova situação com o adiamento da negociação.
Talvez até para o próprio banco seja interessante que a greve se mantenha no sentido de que o DEST precisa ser pressionado - e no momento não há outro tipo que não seja a greve. Discutir com o DEST a previdência dos novos funcionários sem um movimento forte pode ser tudo que os degustadores de cafezinho desejam, na medida em que, de gole em gole de café, eles vão negando, postergando, negando e postergando.
Quero registar, para encerrar, que os contatos agora feitos pelo banco com o DEST poderiam ter sido feito desde antes ou no início da greve. Se houve alguma burocracia por parte do órgão para empurrar a reunião para agora, cai naquilo que venho dizendo deste o início - esse assunto é tão importante e tão grave que deveria ter sido tratado pela presidência junto ao ministro da fazenda e não com terceiro escalão do DEST.
Por fim, mantenhamos combatividade, serenidade e altivez. Ah, sim, os colegas que quiserem reproduzir minhas modestas mensagens aos seus grupos de amigos, fiquem à vontade - não precisa de autorização.
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| Fonte: Geraldo Galindo - Diretor do Sindicato da Bahia e da AFBNB |
| Última atualização: 21/10/2009 às 11:16:00 |
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