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E por que não continuar? Por acaso há algum elemento novo? Não! Só promessas do Banco, requentadas desde a última campanha salarial e não efetivadas até o momento, como a revisão do Plano de Cargos e Remuneração. Continuamos em greve porque após 15 dias de paralisação a Direção do BNB, em uma atitude que mostra total desrespeito com as entidades representativas e com os trabalhadores da instituição, chamou para uma reunião e não apresentou uma proposta concreta.
O funcionário do BNB não tem motivo para voltar ao trabalho, após esse exercício de cidadania, consciência e mobilização que tem sido a greve. À situação anterior, soma-se agora com um elemento a mais: a indiferença do Banco!
A adesão dos trabalhadores do BNB à greve e o resultado das assembléias realizadas ontem (quinta-feira) – nas quais em todos os estados da base do BNB, com exceção do Sindicato de Campina Grande, votou-se pela continuidade na greve dos bancos públicos - revelam a insatisfação dos funcionários com a ausência de uma política de recursos humanos e de valorização. Se até o momento, com o nível de adesão à greve nacional no BNB, ainda não se verifica sinais por parte do Banco no sentido de atender às reivindicações, registramos mais uma vez, os motivos da greve para a continuidade da greve:
1) Os funcionários do BNB estão em greve porque têm um acúmulo de perdas salariais principalmente a partir da implementação do plano real (1994).
É preciso reajuste digno com ganho real e o estabelecimento de uma política de reposição das perdas salariais passadas.
2) Os funcionários do BNB estão em greve porque os salários são incompatíveis com a missão do Banco, bem como com as atividades desenvolvidas pelos mesmos.
É necessário o cumprimento da promessa de reformulação do PCR e de implantação do Plano de Funções, além do estabelecimento do piso de ingresso, pelo menos compatível com o salário mínino calculado pelo Dieese.
3) Os funcionários do BNB estão em greve porque são tratados de forma diferenciada.
É preciso estabelecer uma política de isonomia de tratamento; o pagamento dos passivos e estabelecimento dos direitos para todos. É necessário o cumprimento da promessa do Plano de Previdência Complementar para todos, principalmente para as novas gerações de funcionários do Banco.
4) Os funcionários do BNB estão de greve porque trabalham gratuitamente com extrapolação da jornada, sem pagamento integral das horas extras.
É preciso estabelecer um sistema de ponto eletrônico, sem banco de horas, e que o Banco definitivamente estabeleça uma política de cumprimento da jornada de trabalho. È necessário acabar com as metas abusivas e que seja observada a real capacidade de trabalho no Banco. Concluindo-se pela necessidade de mais horas, que sejam criados novos postos de trabalho, via concurso público, para suprir à demanda.
5) Os funcionários do BNB estão em greve porque têm gerado ótimos resultados e lucros para o Banco, mas não têm participado da divisão do bolo, ficando apenas à distância observando a administração do Banco comemorar.
É preciso uma política efetiva de participação nos lucros e resultados (PLR), de forma compatível à dedicação e ao trabalho desenvolvido pelos trabalhadores do BNB, bem como um mecanismo de aferição dos resultados sociais obtidos através da intervenção do BNB.
6) Os funcionários do BNB estão em greve porque ainda reina na Instituição as práticas criminosas de assédio moral, classificadas por estudiosos do assunto como princípio psicoterrorismo.
É necessário que seja abolido de uma vez por todas do seio da Instituição tais práticas, além da punição exemplar daquelas pessoas que insistem em lançar mão desses atos, sob pena de assistir à institucionalização de tais abusos como critérios para nomeações para cargo de gestão estratégica.
7) Os funcionários do BNB estão em greve porque estão exercendo um direito que lhes é assegurado pela Constituição Federal, não sendo, portanto, crime.
A greve é uma conquista do movimento sindical e dos trabalhadores. Ainda hoje é a forma mais eficaz dos trabalhadores se fazerem ouvir diante da intransigência dos patrões. Por isso, a Direção do Banco do Nordeste deve entender os seus motivos, negociar em condições favoráveis aos trabalhadores, inclusive face ao grau de adesão da greve, não descontar os dias parados. É isso que esperamos de uma gestão democrática e que de fato tenha boa vontade em valorizar os seus trabalhadores.
Pelos motivos acima e pela não apresentação de propostas concretas – haja vista que estão no campo das promessas - é que a Associação conclama os trabalhadores do BNB a permanecerem e fortalecer o movimento, bem como as entidades sindicais a cobrarem do Banco celeridade nas negociações, no sentido de encaminhar o atendimento das deliberações e não protelar como vem sendo feito. As entidades cobraram ontem do Banco que as negociações fossem diárias e que o Banco agilize a interlocução com os órgãos superiores, o que já deveria ter sido feito desde o início da greve.
Greve pra valer, até que as reivindicações sejam atendidas! |