Como é de domínio público, os bancários de todo o país encontram-se em greve. No Banco do Nordeste, 83% das agências aderiram total ou parcialmente ao movimento, além das demais unidades do Banco – centrais de retaguarda, centrais operacionais, unidades de recuperação de crédito, superintendências e diversos órgãos da Direção Geral, como ambientes etc... – firmando-se como uma greve nacional e forte!
Os números da greve no BNB revelam a insatisfação dos funcionários com a ausência de uma política de recursos humanos e de valorização. Se até o momento, com o nível de adesão à greve nacional no BNB, ainda não se verifica sinais por parte do Banco no sentido de atender às reivindicações, registramos mais uma vez, os motivos da greve para amplo conhecimento:
1) Os funcionários do BNB estão em greve porque têm um acúmulo de perdas salariais principalmente a partir da implementação do plano real (1994).
É preciso reajuste digno com ganho real e o estabelecimento de uma política de reposição das perdas salariais passadas.
2) Os funcionários do BNB estão em greve porque os salários são incompatíveis com a missão do Banco, bem como com as atividades desenvolvidas pelos mesmos.
É necessário o cumprimento da promessa de reformulação do PCR e de implantação do Plano de Funções, além do estabelecimento do piso de ingresso, pelo menos compatível com o salário mínino calculado pelo Dieese.
3) Os funcionários do BNB estão em greve porque são tratados de forma diferenciada.
É preciso estabelecer uma política de isonomia de tratamento; o pagamento dos passivos e estabelecimento dos direitos para todos. É necessário o cumprimento da promessa do Plano de Previdência Complementar para todos, principalmente para as novas gerações de funcionários do Banco.
4) Os funcionários do BNB estão de greve porque trabalham gratuitamente com extrapolação da jornada, sem pagamento integral das horas extras.
É preciso estabelecer um sistema de ponto eletrônico, sem banco de horas, e que o Banco definitivamente estabeleça uma política de cumprimento da jornada de trabalho. È necessário acabar com as metas abusivas e que seja observada a real capacidade de trabalho no Banco. Concluindo-se pela necessidade de mais horas, que sejam criados novos postos de trabalho, via concurso público, para suprir à demanda.
5) Os funcionários do BNB estão em greve porque têm gerado ótimos resultados de lucro para o Banco, mas não têm participado da divisão do bolo, ficando apenas à distância observando a administração do Banco comemorar.
É preciso uma política efetiva de participação nos lucros e resultados (PLR), de forma compatível à dedicação e ao trabalho desenvolvido pelos trabalhadores do BNB, bem como um mecanismo de aferição dos resultados sociais obtidos através da intervenção do BNB.
6) Os funcionários do BNB estão em greve porque ainda reina na Instituição as práticas criminosas de assédio moral, classificadas por estudiosos do assunto como princípio psicoterrorismo.
É necessário que seja abolido de uma vez por todas do seio da Instituição tais práticas, além da punição exemplar daquelas pessoas que insistem em lançar mão desses atos, sob pena de assistir à institucionalização de tais abusos como critérios para nomeações para cargo de gestão estratégica.
7) Os funcionários do BNB estão em greve porque estão exercendo um direito que lhes é assegurado pela Constituição Federal, não sendo, portanto, crime.
A greve é uma conquista do movimento sindical e dos trabalhadores. Ainda hoje é a forma mais eficaz dos trabalhadores se fazerem ouvir diante da intransigência dos patrões. Por isso, a Direção do Banco do Nordeste deve entender os seus motivos, negociar em condições favoráveis aos trabalhadores, inclusive face ao grau de adesão da greve, não descontar os dias parados. É isso que esperamos de uma gestão democrática e que de fato tenha boa vontade em valorizar os seus trabalhadores.
Pelos motivos acima e outros pertinentes à categoria como um todo é que a Associação conclama os trabalhadores do BNB a itensificarem o movimento, bem como as entidades sindicais a cobrarem do Banco uma postura adequada nas negociações, no sentido de encaminhar o atendimento das deliberações e não protelar como vem sendo feito. A reunião marcada para o próximo 9 (sexta-feira) é uma oportunidade para isso: para o Banco mostrar que está interessado no bem estar de seus trabalhadores e no compromisso com melhores condições de trabalho. Isso implica, inclusive, ir além do que seja acordado entre Fenaban e Comando Nacional, cujo elemento norteador são as questões do setor privado.
Nesse sentido, a AFBNB - que não tem nenhum compromisso com indicação de cargos - vai continuar com a postura de autonomia e cumprimento da sua missão no tocante às questões funcionais, denunciando abusos e cobrando da Direção do Banco o atendimento das reivindicações dos trabalhadores do Banco do Nordeste. Hoje, diretores da entidade estiveram na agência Centro, sede da Superintendência do Ceará e no Passaré reforçando a mobilização a favor da greve.
Greve pra valer, até que as reivindicações sejam atendidas!
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