|
|
Notícias |
06/10/2009 |
Reinserção do Nordeste |
Fato inusitado está sendo comprovado nas avaliações da crise financeira internacional na economia brasileira: ao contrário do que era de se esperar, como o agravamento do ambiente de pobreza - característica secular da região - o semiárido nordestino vem passando por nova fase de crescimento regional, reinserindo-se no esforço pelo desenvolvimento nacional. É o resultado dos programas de transferências de renda e dos investimentos públicos na região.
As atenções do poder público para com o Nordeste induziram os investimentos privados, nacionais e estrangeiros, por conta do surgimento de uma nova categoria de consumidores, a classe C, migrada de camadas mais sacrificadas economicamente. A ascensão dessa nova camada social, decorrente da elevação de sua renda, tem repercutido na cadeia produtiva, no consumo, na geração de empregos, e, consequentemente, em novos negócios.
Nos últimos tempos, houve uma reviravolta nas sondagens prospectivas do potencial do consumo interno. No ranking nacional, o Nordeste passou a ocupar a segunda posição no mercado consumidor, perdendo apenas para o Sudeste. Ao superar a região Sul, vem merecendo as atenções dos investidores privados, interessados em explorar novos nichos de negócios e a demanda reprimida, aproveitando exatamente as oportunidades surgidas com essas novas fontes de negócio, renda e consumo.
A nova realidade econômica regional não deixa dúvidas sobre as transformações estruturais: o Sudeste detém, hoje, 51% do mercado consumidor nacional, estimado para 2009 em R$ 1,8 trilhão. O Nordeste conseguiu a segunda posição, com uma fatia correspondente a 18,8%. A terceira posição está ocupada pelo Sul, com 16,3% do consumo interno, vindo, em seguida, o Centro-Oeste e o Norte, com 7,8% e 5,7%, respectivamente. O crescimento do salário mínimo foi o fator responsável por essas transformações.
O Nordeste, concentrador de 28% da população brasileira, tem a singularidade de reter, também, mais da metade dos que recebem salário mínimo no País. Por consequência, o ganho real do mínimo beneficiou diretamente essa camada agora responsável pela dinamização do mercado regional de consumo. Como a classe C emergente não tem sobras suficientes para alimentar um plano de poupança, a renda auferida se orienta, toda ela, para as compras.
De 2003 a 2008, foram gerados no semiárido 1,9 milhão de postos de trabalho, com vínculo empregatício. Essa oferta, exatamente num segmento onde a região sempre acumulou déficit de empregos, representou um incremento de 39% sobre o estoque de vagas. Em termos nacionais, foram gerados, no período, 10,3 milhões de ocupações formais, com uma alta significativa de 36%.
O comércio tem sido o termômetro mais eficaz dessas mudanças pontuais. As operações de varejo, na região, cresceram 53% contra a média de incremento nacional de 40%. O crédito para pessoa física, entre 2004 e 2008, quintuplicou quando comparado com a média do País. Esses sinais de melhoramentos comprovam uma realidade inquestionável: sempre que o poder público se volta para regiões com níveis de desenvolvimento defasado, como o Nordeste, o retorno positivo ocorre de imediato, como agora. |
| Fonte: Diário do Nordeste |
| Link: http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=677479 |
| Última atualização: 06/10/2009 às 11:05:00 |
|
|
|
 |
Comente esta notícia |
|
Comentários |
Seja o primeiro a comentar.
Basta preencher o formulário acima.
|
|
|